Psicopatologia Fundamental

  • Moreira A
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Abstract

Psicopatologia como pathos da psyché funda-menta a psiquiatria desde os seus primórdios. É na feno-menologia de Jaspers que, em larga medida, assenta a linguagem que permite aos que a esta área se dedicam comunicar de forma clara e eficaz. Outros constructos, como o modelo de Cambridge, têm vindo a enriquecer a nossa avaliação em psiquiatria. Este é um livro dirigido a todos aqueles que se inte-ressem por psiquiatria, a todos os que pretendam melhor comunicar nesta área. É um livro que sintetiza conheci-mentos gerais a uma boa prática clínica. Tal é patente no capítulo sobre semiologia psicopatológica em que, não só a terminologia é captada com exatidão, como são incor-poradas notas históricas que facilitam a compreensibi-lidade da evolução dos conceitos. Ao longo do tempo, os mesmos termos têm sido imbuídos de diferentes 395 Rev. Latinoam. Psicopat. Fund., São Paulo, 18(2), 394-396, jun. 2015 significados, tenham estes sido mais ou menos próximos entre si. Percorrer as modi-ficações históricas de relevo capacita a uma avaliação mais fina, a uma concep-tualização mais fiel dos elementos, vazada no termo mais apropriado. As vinhetas clínicas anteveem a aplicabilidade destes em exemplos bem atuais. Pois a relação entre os conceitos e as apresentações não se estabelece de forma estanque. Quantos não são os casos de alterações da percepção em síndromas ansiosas, demenciais, ou no consumo de substâncias; e em quantos quadros não se observam alterações do pensamento, do humor, ou alterações da vida instintiva. Partindo dos conceitos, e criando condições favoráveis ao estabelecimento de uma relação empática, procede-se à entrevista. Há que estar atento e ajustar as questões às particularidades de cada indivíduo, ao que não escapa uma cuidada avaliação da personalidade e dos fatores de risco relativos a determinados sintomas. Os dados são integrados e veiculados em modelo próprio, que relembra as princi-pais áreas a explorar. A história clínica requer outras noções prévias, tão díspares como o genograma ou a taxonomia em vigor. As classificações diagnósticas permitem estabelecer diagnósticos baseados em critérios predefinidos. Classificações têm existido desde Pinel e, se têm sido reconhecidas limitações derivadas do reducionismo de quadros complexos e varia-bilidade intersubjetiva a esquemas padronizados, a inclusão nestes sistemas classifi-cativos permite, uma vez mais, facilitar a comunicação entre clínicos e, além disso, objetivar dados em investigação. Neste livro, são abordados os progressos dos sistemas classificativos desde o século XIX com particular atenção para a evolução das classificações internacionais mais usadas hoje em dia na prática clínica (Classificação Internacional de Doenças e Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais [DSM]). É ainda de realçar o papel de destaque para as dife-renças que foram propostas para o DSM-5. O coordenador, que se tem dedicado à psiquiatria de ligação quer do ponto de vista acadêmico quer clínico, não podia deixar de apresentar um capítulo sobre o diagnóstico diferencial em psiquiatria, diagnóstico este tão importante à abordagem do doente de uma forma holística. Da neurologia à endocrinologia, dos agentes infecciosos aos agentes tóxicos, o conhecimento da semiologia, dos exames complementares de diagnóstico a utilizar, e do tratamento correto a instituir, são decisivos na orientação dos casos. O progresso científico ditará os avanços na abordagem dos mesmos e, sob estes, o futuro da psiquiatria. Este é um livro que — como bem notou Pio Abreu, " reúne a informação indis-pensável a qualquer médico que se queira lançar na prática clínica psiquiátrica " — foi concebido de forma didática e nele ressaem tabelas e figuras que permitem uma melhor compreensão dos conceitos. Os questionários finais de cada capítulo favorecem não só a solidificação de conhecimentos como uma apreensão geral de RESENHA BIBLIOGRÁFICAS

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Moreira, A. L. (2015). Psicopatologia Fundamental. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 18(2), 394–396. https://doi.org/10.1590/1415-4714.2015v18n2p394.15

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