Abstract
processo de identificação é essencial na discussão contemporânea sobre os laços sociais e as novas formas de segregação, e está intimamente ligado aos sentimentos de aversão e hostilidade presentes em toda relação afetiva que perdura por algum tempo. Esse “narcisismo das pequenas diferenças” estaria na base dos mecanismos que engendram os processos de segregação na cultura. Lacan retoma o tema da identificação proposto por Freud, que pode ser nomeada de histérica, narcísica ou imaginária, e diz da questão do outro em nós. Assim, a singularidade que marca o sujeito, sua identidade mais íntima é, para ele, ao mesmo tempo, estranha e exterior, o que nos remete ao que Freud (1919/1996) fez alusão em seu texto “O Estranho”, e ao conceito lacaniano de extimidade. Para Lacan, a diferença em um grupo somente acontece pela hostilidade ou exclusão de outro diferente. Contemporaneamente, com a expansão da ordem capitalista e do ideal científico, assistimos à multiplicação de oferta de identificações que impõem uma homogeneização dos modos de gozo que podemos designar com uma manifestação do sintoma do Outro da cultura: aquilo que não vai bem e denuncia um disfuncionamento na relação entre os seres humanos e a cultura que os sustenta. Essas identificações segregam, na medida em que suas manifestações sinalizam pontos de fracasso no projeto de civilização, e podem ser tomadas como falhas no laço social. O fracasso escolar, o abuso de crianças, a violência urbana e as toxicomanias são exemplos dessas ocorrências. Palavras-chave: Identificação. Segregação. Freud. Lacan. Contemporaneidade.
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Pereira, C. E., & Ferrari, I. F. (2016). A identificação e os processos de segregação na contemporaneidade. Cadernos CESPUC de Pesquisa, (28), 205. https://doi.org/10.5752/p2358-3231.2016n28p205
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