Abstract
Resumo: Orientando-se por estudos críticos sobre a literatura dos direitos humanos, a literatura testemunhal, e a narrativa (auto)biográfica, este ensaio apresenta uma análise de contos do volume Olhos d’água (2014) de Conceição Evaristo, visando interrogar o papel da narrativa de ficção como literatura de resistência e testemunho que empresta voz a indivíduos comumente silenciados em um contexto de opressão racial e econômica. A literatura de Evaristo se articula sobre o que ela conceitua como escrevivência, ou seja, uma escrita originada da experiência do sujeito. Este é maiormente a mulher negra e pobre com a qual a voz narrativa estabelece uma íntima identificação, o que confere à obra uma dimensão autográfica e testemunhal, de denúncia sobre a violação dos direitos humanos da população negra brasileira.Abstract: Informed by critical studies on human rights literature, testimonial literature, and (auto-) biographical narrative, this essay analyzes stories from Conceição Evaristo’s Olhos d’água (2014), with the purpose of examining the role narrative fiction may play as a form of testimony and resistance literature that gives voice to those normally silenced by racial and economic oppression. Evaristo characterizes her work as escrevivência, a type of writing originated from the subject’s personal experiences; this subject is mostly Black poor women with whom the narrative voice identifies. Thus, her work presents characteristics of autographic and testimonial literature that seeks to denounce the violation of Brazil’s Black population’s human rights.
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Pinto-Bailey, C. F. (2021). Escrevivência, testemunho e direitos humanos em Olhos d’água de Conceição Evaristo. Revista Brasileira de Literatura Comparada, 23(43), 8–19. https://doi.org/10.1590/2596-304x20212343cfpb
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