Obesidade na infância e adolescência: uma verdadeira epidemia

  • Oliveira C
  • Fisberg M
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Abstract

108 Arq Bras Endocrinol Metab vol 47 nº 2 Abril 2003 so de peso em nosso meio. Outro achado importante foi o fato da criança estudar em escola privada e ser unigênita, como os principais fatores preditivos na determinação do ganho excessivo de peso, demons-trando a influência do fator sócio-econômico e do micro-ambiente familiar. O acesso mais fácil aos ali-mentos ricos em gorduras e açúcares simples, assim como, aos avanços tecnológicos, como computadores e videogames, poderia explicar de certa forma a maior prevalência da obesidade encontrada nas escolas par-ticulares. Contudo, esses dados não estão de acordo com os encontrados em países desenvolvidos, onde existe uma relação inversa entre o nível de educação ou sócio-econômico e a obesidade. Um outro aspecto que tem se discutido sobre os fatores relacionados à epidemia da obesidade é a con-tribuição do aumento das porções dos alimentos servi-das em restaurantes, bares e supermercados. O artigo de Young & Nestle (11) apresenta a evolução dos tama-nhos das porções de alimentos oferecidas em alguns estabelecimentos nos EUA, nas últimas décadas, e com-para com as padronizadas pelo Departamento de Agri-cultura dos EUA (USDA). Os resultados mostraram que o tamanho da porção de carnes, massas e chocolates ultrapassavam em 224, 480 e 700%, respectivamente, o da padronizada pelo USDA. Além disso, constatou-se que foi a partir da década de 70 que se iniciou um aumento das porções, coincidindo com a atuação mais forte do marketing na indústria alimentícia. Como exemplo, o tamanho da batata-frita oferecida aos con-sumidores em meados dos anos 50 representava 1/3 do maior tamanho oferecido em 2001. Diante do que foi discutido e dos números apresentados, percebe-se a importância da implemen-tação de medidas intervencionistas no combate e pre-venção a este distúrbio nutricional em indivíduos mais jovens. Algumas áreas merecem atenção, sendo a edu-cação, a indústria alimentícia e os meios de comuni-cação, os principais veículos de atuação. Medidas de caráter educativo e informativo, através do currículo escolar e dos meios de comunicação de massa, assim como, o controle da propaganda de alimentos não saudáveis, dirigidos principalmente ao público infantil e, a inclusão de um percentual mínimo de alimentos in natura no programa nacional de alimentação escolar e redução de açúcares simples são ações que devem ser praticadas. Sobre a indústria alimentícia, devemos pro-curar o apoio à produção e comercialização de alimen-tos saudáveis. REFERÊNCIAS

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Oliveira, C. L. de, & Fisberg, M. (2003). Obesidade na infância e adolescência: uma verdadeira epidemia. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 47(2), 107–108. https://doi.org/10.1590/s0004-27302003000200001

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