Quilombos

  • Arruti J
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Abstract

Objeto aberto Não é possível falar deles sem adjetivá-los. Seja por meio da fórmula legal que lança mão de "remanescentes", ou das tentativas de ajuste desta, por meio de "contemporâneos". Seja ainda por que são necessárias distinções entre estes, quando se usa "urbanos" ou "rurais". Ou, quando se quer tipificá-los, por meio de "agrícola", "extrativista", "nômade" etc. Ou, finalmente, quando se fala em "históricos", de forma complementar ou concorrente àquelas formas anteriores, já que falar em "quilombos históricos" tem servido tanto para especificar quanto para deslegitimar os "quilombos contemporâneos". Depois de adjetivá-lo, porém, é ainda necessário definir qual o conteúdo que cabe a cada adjetivo, já que se trata de uma categoria em disputa. Não apenas em função de seu caráter polissêmico, aberto, com grandes variações empíricas de ocorrência no tempo e no espaço. Mas uma disputa em torno de como o plano analítico se conecta com os planos político e normativo. Uma disputa travada entre antropólogos e historiadores, mas também entre estes; travada na imprensa, no parlamento e nas decisões judiciais. Tais disputas, que continuam em aberto, fazem com que este texto, que deveria oferecer uma visão sintética do tema e mesmo uma definição de quilombo, tenha que ser construído como a introdução a uma problemática, um texto cujo objeto não "é", mas sim "está em curso". Não deveria ser necessário, mas, justamente devido a este caráter problemático, vale ressalvar que ao apreendermos o quilombo como um objeto em disputa, em processo, aberto, não estamos afirmando-o como um signo sem significante. Pelo contrário, estamos reconhecendo que, entre a enorme variedade de formações sociais coletivas contemporâneas, que derivaram direta ou indiretamente das contradições

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Arruti, J. M. (2008). Quilombos. In Raça: novas perspectivas antropológicas (pp. 315–350). EDUFBA. https://doi.org/10.7476/9788523212254.0012

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