Abstract
RESUMO: Neste artigo critico o modo como se fazem teses em ciências sociais no Brasil, com dependência excessiva da bibliografia e aplicação mecânica de algumas idéias na moda a todo tipo de corpus, mesmo aquele que tem riquezas de que a teoria não dá ainda conta. Ocorrerá um esvaziamento do desejo de pensar? A Universidade não deveria incentivar, nos alunos, o espírito de risco, em vez do anseio de acomodação? Faço algumas sugestões nesta direção. UNITERMOS: teses, bibliografia, método, humanidades, ciências sociais. m problema que, como leitor, constato com freqüência nos trabalhos acadêmicos em ciências humanas e sociais é sua timidez e pequeno alcance. Penso que isso está ligado a um problema que vale a pena, ainda que em poucas páginas, levantar. 0 Brasil avançou muito, estes anos, em termos de produção universitá-ria. Há cada vez mais teses, mais mestres, mais doutores. Mas não estaremos assistindo auma timidez muito grande no modo como os jovens pesquisadores abordam seus temas? E isso -perversamente -não será resultado, em parte, exa-tamente desse avanço, já que ele insiste em metodologia, em formação de base e em vários outros elementos que tanto podem libertar quanto prender? Quero dizer com isso: quando se fazem seminários ou grupos de discussão de textos, quando se estudam os textos de referência, quando se conhece bem a bibliografia, isso tanto pode ajudar a liberar a reflexão, quanto pode atá-la a modelos jáconstituí-dos. O primeiro papel é altamente positivo, e aplaudo-o. Ocorre quando se lêem textos notáveis, que oferecem pistas novas. Voltarei a ele, adiante, para acrescen-tar algumas observações. Mas começo pelo segundo, a meu ver o que merece Professor do Departa-mento de Filosofia da FFLCH -USP
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Ribeiro, R. J. (1999). Não há pior inimigo do conhecimento que a terra firme. Tempo Social, 11(1), 189–195. https://doi.org/10.1590/s0103-20701999000100010
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