Periódicos científicos brasileiros: visibilidade e charme

  • Rocha e Silva M
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Ao falarmos de nossos periódicos científicos é importante não esquecer que eles existem em duas catego-rias: com e sem peer review. Só a primeira deve ser levada em conta. Ao todo, segundo a CAPES, são cerca de seis mil, mas apenas 8% dentre eles publicam ciência original com peer review. Antes que alguém ache isso anormal, vale notar que o grande arquivo internacional Ulrich's relaciona cerca de 300.000 periódicos científicos em todo o mundo, dos quais apenas 27.000 são peer reviewed. Portanto, estamos na média mundial. Quanto à visibilidade, o divisor é outro: século passado e milênio novo. Até 1999, a maioria de nossos periódicos era totalmente invisível e apenas um punhado muito pequeno conseguia ter seus artigos citados. Nenhum peri-ódico brasileiro jamais chegou a ter um fator de impacto acima de 1,000 e pouquíssimos chegavam a 0,500! A partir do novo milênio tudo mudou, graças ao SciELO e ao PubMed. A criação de uma biblioteca virtual de acesso livre e gratuito (SciELO) disponível no PubMed, passou a significar que qualquer pessoa no mundo conectada a Internet pode consultar e fazer o download de graça de qualquer artigo de nossos periódicos. Naturalmente, peer review é condição sine-qua-non para ser aceito no SciELO. A mágica não demorou muito. Em 2004, duas revistas brasileiras atingiram um Fator de Impacto acima de 1,000 e nunca mais voltaram para trás. Apenas seis anos mais tarde, temos uma revista com impacto acima de 2,000 e treze revistas acima de 1,000. Projeções para 2011 sugerem que teremos talvez duas revistas acima de 2,000 e algo em torno de quinze acima de 1,000. Os downloads de artigos científicos publicados em nossos periódicos saltaram de 100 mil em 1999 para mais de 100 milhões em 2010. Nossas revistas são visíveis e os artigos que nelas aparecem são lidos e citados como nunca foram. Sem dúvida estamos mais atraentes! Mas poderíamos estar muito mais charmosos! E infelizmente o obstáculo é interno. O sistema de avaliação de artigos publicados por nossos programas de pós-graduação não nos ajuda em nada. Qualquer aluno ou orientador de pós-graduação que publique numa revista brasileira sofre um des-conto de 20 a 60% na sua nota por ter publicado em casa. O sistema classificador de artigos baseia-se numa ideia perigosamente carregada de viés: o artigo recebe a nota em função do fator de impacto do periódico que o publica. Não somos os únicos pecadores: diversas agências internacionais, tanto de classificação como de distribuição de verbas também o cometem. O próprio pai do Fator de Impacto, Eugene Garfield, já fez essa observação: o fator de impacto reflete a importância dos periódicos, mas jamais a dos artigos ali publicados, porque a distribuição de citações pelos artigos é tremendamente assimétrica. Em um estudo

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Rocha e Silva, M. (2012). Periódicos científicos brasileiros: visibilidade e charme. Revista Da Escola de Enfermagem Da USP, 46(1), 09–10. https://doi.org/10.1590/s0080-62342012000100001

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