A teoria do “encerramento do Ijtihad” no direito islâmico

  • Bonate L
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O postulado da jurisprudência islâmica clássica sobre o “encerramento dos portões do ijtihad”, ou a teoria da abdicação da aplicação do raciocínio humano para a extrapolação da lei a partir das escrituras sagradas, foi indicado por orientalistas como uma das razões da alegada incapacidade das sociedades islâmicas de acompanhar o desenvolvimento moderno, do qual o Ocidente desfrutava. O fecho do ijtihad pareceu ser a causa plausível da aparente estagnação e da falta de criatividade da jurisprudência muçulmana. Apesar de juristas pré-modernos islâmicos e os orientalistas concordarem sobre o encerramento do ijtihad, este, nos dias que correm, tem sido objecto de estudos mais aprofundados e de discussões acesas entre académicos, sendo opinião comum que nem o exercício nem a teoria da lei islâmica manifestaram alguma vez a ausência do ijtihad ou da criatividade jurídica.The postulate of classic Islamic jurisprudence of the ‘closing of the doors of ijtihad’, or the theory of abdicating from applying human reasoning to the extrapolation of law from sacred scripture, was posited by Orientalists as one of the reasons for the alleged inability of Islamic societies to stay abreast of the modern development which the West enjoyed. The closing of the doors of ijtihad appeared to be the credible cause for the seeming stagnation and lack of creativity of Muslim jurisprudence. Although pre-modern Islamic legal scholars and Orientalists agreed on the closing of the doors of ijtihad, the latter, in our time, has been the object of more acute study and of heated debate among academics. It is a commonly held view that neither the exercise nor the theory of Islamic law ever evinced the absence of ijtihad or of juridical creativity.Le postulat de la jurisprudence islamique classique sur la “fermeture des portes du Ijtihad”, ou la théorie de l’abdication de l’application du raisonnement humain dans l’extrapolation de la loi à partir des écritures sacrées, a été interprété par les orientalistes comme une des raisons de la soi-disant incapacité des sociétés islamiques d’accompagner le développement moderne, dont l’Occident bénéficiait. La fermeture du Ijtihad a semblé être la cause plausible de l’apparente stagnation et du manque de créativité dans le domaine de la jurisprudence islamique. Quoique les juristes pré-modernes islamiques et les orientalistes s’entendent bien sur la fermeture du Ijtihad, celui-ci, à nos jours, a été l’objet des études les plus approfondies et de discussions enflammées entre les académiques, l’opinion commune admettant que ni l’exercice ni la théorie de la loi islamique n’ont jamais témoigné de l’absence du Ijtihad ni de la créativité juridique.

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Bonate, L. J. K. (2013). A teoria do “encerramento do Ijtihad” no direito islâmico. Revista Crítica de Ciências Sociais, 80, 195–211. https://doi.org/10.4000/rccs.704

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