Abstract
A síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH) é uma antropozoonose emergente que no Brasil apresenta elevada taxa de letalidade. Sua transmissão ocorre por meio da exposição à excretas de roedores silvestres infectados. As condições de vida e moradia no meio rural, a suburbanização, as alterações climáticas e ambientais estão relacionadas à transmissão do vírus. O presente estudo analisa os aspectos ecológicos e geográficos dos roedores reservatórios do bioma cerrado e mata atlântica, bem como os componentes socioeconômicos, demográficos e ambientais relacionados à ocorrência da doença. Na primeira abordagem utilizando a modelagem de nicho ecológico (MNE) verificamos que Necromys lasiurus e Oligoryzomys nigripes apresentam ampla distribuição ecológica e geográfica para o Brasil. A temperatura máxima nos meses mais quentes e a precipitação anual foram as variáveis que mais influenciaram a distribuição destes roedores. Os modelos preditivos dos roedores sororeagentes para SCPH estimaram maior área de transmissão de hantavírus nas regiões sudeste e sul do Brasil. Entretanto, áreas mais ao norte e nordeste do país também são favoráveis para ocorrência de N. lasiurus e O. nigripes sugerindo potencial para transmissão de hantavírus em praticamente todo território extra-amazônico no Brasil. Na segunda abordagem, utilizando a análise multicritério de decisão (AMD), foram desenvolvidas cinco simulações buscando elaborar categorias para classificar os municípios brasileiros quanto à vulnerabilidade para SCPH. Utilizando indicadores socioeconômicos, demográficos e ambientais associados à incidência da SCPH, estimou-se uma maior vulnerabilidade para ocorrência do hantavírus em municípios das regiões sul, sudeste e centro oeste, enquanto os municípios da região norte e nordeste foram classificados como menos vulneráveis. Ambos os métodos empregados neste estudo buscaram de forma complementar o entendimento epidemiológico da SCPH e poderão ser utilizados para predição, prevenção e consequentemente para redução da morbimortalidade desta importante zoonose no Brasil.
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Oliveira, S. V. de, & Gurgel-Gonçalves, R. (2013). Análise preditiva da distribuição geográfica de hantavírus no Brasil. Revista Pan-Amazônica de Saúde, 4(4), 73–74. https://doi.org/10.5123/s2176-62232013000400009
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