Investigações sobre a construção do fitônimo CAPOEIRA: aspectos do campo léxico-semântico e geolinguística indígenas

  • Rizzi C
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O termo capoeira é um vernáculo, uma sentença tupi no português do Brasil. De kaá-uêra procede a noção de “mato que já não é o mesmo que foi”. Essa sentença demonstra a elegante interpretação da tradição indígena acerca dos dados da paisagem. Atualmente, o termo capoeira é muito utilizado no discurso científico ao lado de seu homônimo da tradição ocidental : mata secundária. Pretendeu-se aqui desenvolver a seguinte indagação: porque há uma estranha diferença intelectual entre o sentido de capoeira e mata secundária? Essa estranheza reside no fato do termo capoeira possuir um campo léxico-semântico que abarca, não somente a formação vegetacional correspondente, como também ampla gama homóloga e complementar de fenômenos do ambiente, da fauna e da flora. Algo similar não ocorreu com o termo mata secundária. Para tentar entender o porquê dessa constatação, supôs-se que o primeiro termo é resultado de um pensamento totalizante, de uma tradição contínua repassada desde o passado ancestral, ao passo que o segundo termo é herdeiro de uma recente ruptura: a da fragmentação do pensamento helênico. No Ocidente, essa fragmentação possui um momento simbólico: o julgamento de Sócrates. Munidos dos estudos de Hannah Arendt, foram vistos elementos dessa fragmentação na “ separação entre o filósofo e a vida na polis [que] significou a separação entre o pensamento e a ação ” (Wagner 2002), o que teve como consequência a “ separação entre pensamento e política [...] entre filósofo e realidade ” (Wagner 2002). O resultado maior dessa cisão foi a instalação, na tradição ocidental, da dicotomia entre a vita activa e a vita contemplativa que oficializou a própria cisão entre pensamento e ação. Acreditou-se ser esse o cerne da diferenciação intelectual entre o termo capoeira e mata secundária, dicotomia linguística produzida pela consequente cisão do espaço em absoluto e relativo e em natureza e sociedade, questão observada por Smith (1988).

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Rizzi, C. A. (2012). Investigações sobre a construção do fitônimo CAPOEIRA: aspectos do campo léxico-semântico e geolinguística indígenas. Tradterm, 19, 214. https://doi.org/10.11606/issn.2317-9511.tradterm.2012.47353

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