Abstract
Todos os direitos, inclusive de tradução, são reservados. É permitido citar parte de artigos sem autorização prévia desde que seja identificada a fonte. INTRODUÇÃO O ano é 2007. A sociedade francesa se choca com a onda de suicídios cometidos nos escritórios e fábricas de montadoras de veículos, muitos dos quais explicitamente atribuídos às precárias condições de trabalho relatadas por tais trabalhadores, manifestadas em bilhetes escritos antes da consumação das mortes. " O trabalho é duro demais para suportar " , teria confidenciado um jovem executivo de 38 anos, em via de promoção, casado e pai de três filhos. Os casos se tornam emblemáticos, em vista da nítida correlação que tiveram com as pressões decorrentes do contexto laboral – algo difícil de fazer, quando o assunto é suicídio – cuja decisão em cometê-lo envolve inúmeros fatores (Hawton & Heeringen, 2009). Houve grande repercussão na mídia, fato também raro, pois não se incentiva divulgação de casos da espécie (Stack, 2003), mas que se justificou em decorrência da comoção nacional e dos amplos debates suscitados pelos óbitos. 2009. Nova sequência de suicídios na França; dessa vez, são os trabalhadores da gigante das telecomunicações que protestam contra os métodos de gestão da empresa. Infelizmente, entretanto, mortes autoprovocadas de trabalhadores aparentemente não se restringem às empresas francesas. Pegula (2008) assevera que, nos Estados Unidos, entre 1992 e 2001, 2.170 trabalhadores cometeram suicídio em seus locais de trabalho. Há amplos estudos japoneses demonstrando a correlação entre a organização do trabalho e o suicídio, como, por exemplo, aqueles desenvolvidos por Nakayama e Amagasa (2004), Amagasa, Nakayama e Takahashi (2005) e Hiyama e Yoshihara (2008). No Brasil, Rodrigues (2004) e Xavier (1998) fazem considerações sobre sequência de suicídios de trabalhadores bancários, na década de 1990, atribuindo-os, em larga medida, às reestruturações produtivas em curso. Suicídios recentes entre bancários demonstram que, aparentemente, o problema não esteve circunscrito ao contexto da década passada, mas poderia ter-se tornado fenômeno endêmico. 2008. Operador de pregão de um grande banco, lotado na bolsa de valores, atira contra o próprio peito durante o expediente. Conta-se que o homem, na casa dos 40 anos e pai de duas crianças, temia a sorte da família caso fosse demitido, pois o conglomerado financeiro que trabalhava estava em processo de fusão. Dias depois, bancária comete suicídio, também no local de trabalho, mediante uso de arma de fogo: exatamente o mesmo destino que tivera o administrador de outra agência bancária meses antes. 2009. Bancário se atira da janela de seu escritório, localizado no sexto andar; a empresa negociava a incorporação por outro banco.
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Santos, M. A. F., Siqueira, M. V. S., & Mendes, A. M. (2010). Tentativas de suicídio de bancários no contexto das reestruturações produtivas. Revista de Administração Contemporânea, 14(5), 925–938. https://doi.org/10.1590/s1415-65552010000500010
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