Abstract
Este ensaio procura analisar a evolu- ção da cena econômica e institucional brasileira que vem produzindo uma nova relação entre as grandes empre- sas, seus acionistas e os intermediá- rios financeiros e espraiando suas conseqüências sobre os sindicatos e a previdência. O autor aborda as vicissi- tudes das tentativas de instalação no Brasil do modelo de governança cor- porativa, usando as câmaras setoriais como um contraponto cognitivo. Apresenta também algumas particula- ridades da tramitação recente das leis que regulam a governança corporati- va, enfocando as dificuldades enfren- tadas pelos agentes que tentam trazer esse conceito, oriundo do mundo fi- nanceiro anglo-saxão, para a cena brasileira. A discussão pretende mos- trar que, de um lado, as dificuldades são expressão da resistência do mo- delo de capitalismo brasileiro, que passa, atualmente, por um processo de deslegitimação causado pela pre- valência dos partidários da globaliza- ção, considerados os intelectuais or- gânicos das elites dominantes do momento; de outro, que os atores globalizantes recebem uma ajuda decisiva e aparentemente inesperada das cúpulas do movimento sindical, o que influencia bastante a disputa eco- nômica e política travada em torno da implantação ou não da governança corporativa e seus contornos.
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Grün, R. (2003). Atores e ações na construção da governança corporativa brasileira. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 18(52). https://doi.org/10.1590/s0102-69092003000200008
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