Água na região Nordeste: desperdício e escassez

  • Rebouças A
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Abstract

" As coisas talvez melhorem. São tão fortes as coisas! Mas eu não sou as coisas e me revolto. " Carlos Drummond de Andrade GUA É VIDA, água elemento vital, água purificadora, água recurso renovável, são alguns dos significados referidos em diferentes mitologias, religiões, povos e culturas, em todas as épocas. Os ciclos de energia física, química e biológica que engendram ou conser-vam as diferentes formas de vida nos ecossistemas naturais da Terra, em geral, e nos contextos antrópicos, em particular, estão intimamente ligados ao ciclo das águas. Entretanto, a ocorrência de secas ou enchentes em área onde não mora ninguém ou que não constitui objeto de vantagens sócio-econômicas e políticas não passa de um fenômeno físico. Portanto, a opção pelo desenvolvimento sustentável – processo que deve compatibilizar, no espaço e no tempo, o crescimento econômico, com a conser-vação ambiental, a qualidade de vida e a eqüidade social – torna a seca ou en-chente um fato social, para além de sua marca física. De fato, é de origem social o comportamento humano que agrava os efei-tos da seca ou da enchente – pelo desmatamento, pela ocupação das várzeas dos rios, pela impermeabilização do solo no meio urbano, pelo lançamento de esgo-to não-tratado nos rios, pelo desperdício da água disponível. É também de ori-gem social a atitude político-científica diante da questão, na qual pode prevale-cer ótica enviesada de unilaterização física ou social. Nessas condições, a avaliação do problema da água de uma dada região já não pode se restringir ao simples balanço entre oferta e demanda. Deve abranger também os inter-relacionamentos entre os seus recursos hídricos com as demais peculiaridades geoambientais e sócio-culturais, tendo em vista alcançar e garan-tir a qualidade de vida da sociedade, a qualidade do desenvolvimento sócio-econômico e a conservação das suas reservas de capital ecológico.

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Rebouças, A. da C. (1997). Água na região Nordeste: desperdício e escassez. Estudos Avançados, 11(29), 127–154. https://doi.org/10.1590/s0103-40141997000100007

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