Abstract
Numa sociedade cada vez mais visual, torna-se compreensível que disciplinas como a antropologia tenham começado a manifestar um crescente interesse nas questões da visibilidade. Embora esta preocupação não seja exatamente recente, o problema de “O que fazer com a imagem?” tem sido fonte de constantes inquietações. Durante décadas, a antropologia visual continuou confinada a práticas tradicionalistas e limitativas, que viam as tecnologias visuais como meras ferramentas de pesquisa ou como modo de apresentar os seus estudos. Apesar disso, recentemente, abandonando a teimosia metodológica que limitava o estudo antropológico ao método malinowskiano, o estudo de imagens de variadas proveniências tem emergido como um campo válido para a imersão etnográfica, com o potencial de revelar processos percetuais, históricos e socioculturais.Das infindáveis formas de produção imagética, centro-me neste ensaio nas potencialidades trazidas pela análise da imagem fotográfica vernacular. Tal como a própria análise imagética, necessariamente multidisciplinar e multimetodológica, também este ensaio vive do cruzamento de textos e pontos de vista, vindos de várias disciplinas.O ensaio procura apontar algumas das potencialidades trazidas pelo uso de corpus imagéticos fotográficos, enfatizando as afinidades já existentes entre a atividade fotográfica e etnográfica. Do seu aparente caráter apodítico à sua visão necessariamente subjetiva, passando pela sua capacidade performativa – a fotografia tem o potencial de fornecer ao antropólogo material precioso para compreender, de modo não-intrusivo e da perspetiva do sujeito estudado, as mais variadas dinâmicas sociais.
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Caldeira, S. (2017). As potencialidades do estudo da imagem fotográfica na antropologia visual. Vista, (1), 165–180. https://doi.org/10.21814/vista.2983
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