Abstract
Introdução A partir de distintas fases no estabelecimento de um diálogo entre os estudos de gênero e de migração internacional, as relações entre família e trajetórias migratórias compõem uma questão emergente e fundamental. Para além dos diferenciais por sexo na migração, é necessária a construção de um aporte teórico, metodológico e empírico que possa de fato estabelecer relações entre migração e família. Parte-se, para tanto, dos lugares de origem e planejamento do projeto migratório, passando pelo cumprimento de diversas etapas migratórias até o restabelecimento no lugar de destino. Experiências transnacionais, além da noção de ciclo de vida, são o pano de fundo para a reconstrução, negociação e ressignificação da família ao longo de todo o processo social da migração. 1. Retomando o diálogo entre migrações e relações de gênero O objetivo central deste trabalho é contribuir para o debate, não só da incorporação dos estudos de gênero aos estudos de migração internacional, mas também preencher a lacuna resultante da ausência da componente familiar em todo o processo social da migração, e não apenas considerada no início dos projetos migratórios de homens e mulheres (Harbison, 1981). Neste sentido, parte-se da retomada do diálogo e das intersecções teóricas e metodológicas entre estudos de gênero e migração, buscando identificar o papel da família nas trajetórias migratórias (Sanchez, 2012), trazendo à tona a importância da compreensão das transformações dos papeis de homens e mulheres em seus projetos migratórios. 1 Trabalho apresentado no XIX Encontro Nacional de Estudos Populacionais da Associação Brasileira de Estudos Populacionais – ABEP. São Pedro, 24 a 28 de novembro de 2014. 2 Pesquisadora do Núcleo de Estudos de População " Elza Berquó " – NEPO/Unicamp. Membro do projeto " Observatório das Migrações em São Paulo " . Avanços teóricos recentes dos estudos de migração ressaltam a importância de se estudar diferenciais por sexo, transformações nas relações de gênero e também de um aporte específico para este fenômeno. Segundo Boyd e Grieco (2003, p. 61), O gênero está profundamente enraizado na determinação de quem se movimenta, como esses movimentos se dão e quais os impactos nas famílias e mulheres migrantes. Se as teorias de migração internacional integram as relações de gênero de maneira adequada e eficaz, devem levar em conta fatores sutis e óbvios que se misturam para criar diferentes experiências ao longo da migração. A definição e compreensão destes fatores melhor fundamentam as teorias de migração internacional e também as experiências individuais de mulheres migrantes em todo o mundo 3 . Ao incorporar os diferenciais por sexo bem como as relações de gênero às
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Guimarães Peres, R. (2014). “O que importa é o que acontece com a sua família”: um diálogo entre família e migração. Revista Percursos, 15(28), 146–165. https://doi.org/10.5965/1984724215282014146
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