Abstract
As políticas de imigração na Europa se tornaram crescentemente restritivas nas últimas três décadas. Nos anos 1990, o asilo político perdeu muita de sua legitimidade, ao passo que novos critérios baseados em argumentos humanitários se tornaram mais comuns nas apelações. Requerentes de asilo foram sendo cada vez mais identificados como imigrantes ilegais e, portanto, sujeitos à extradição, a menos que razões humanitárias fossem encontradas para requalificá-los como vítimas merecedoras de empatia. Essa substituição do direito ao asilo para uma obrigação em termos de caridade leva a reconsiderar a separação de Giorgio Agamben entre o humanitário e o político, sugerindo uma humanitarização das políticas. O Centro de Sangatte, geralmente referido como um campo transitório, tornou-se um símbolo desse ambíguo tratamento europeu à “miséria do mundo” e serve como uma chave analítica que revela as tensões entre repressão e compaixão, assim como a economia moral da biopolítica contemporânea.Immigration policies in Europe in the last three decades have become increasingly restrictive. During the 1990s, political asylum lost much of its legitimacy, as new criteria based on humanitarian claims became more common in appeals for immigration. Asylum seekers were increasingly identified as illegal immigrants and therefore candidates for expulsion, unless humanitarian reasons could be found to requalify them as victims deserving sympathy. This substitution of a right to asylum by an obligation in terms of charity leads to a reconsideration of Giorgio Agamben's separation of the humanitarian and the political, suggesting instead a humanitarianization of policies. Sangatte Center, often referred to as a transit camp, became a symbol of this ambiguous European treatment of the "misery of the world" and serves here as an analytical thread revealing the tensions between repression and compassion as well as the moral economy of contemporary biopolitics.
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Fassin, D. (2014). Compaixão e Repressão: A Economia Moral das Políticas de Imigração na França. Ponto Urbe, (15). https://doi.org/10.4000/pontourbe.2467
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