Abstract
Partindo de um fenômeno cada vez mais comum na União Europeia-a presença de trabalhadoras domésticas migrantes não-legalizadas nas afluentes casas europeias-, Encarnación Gutiérrez-Rodríguez, professora de Estudos Transculturais da Universidade de Manchester, explora a interface entre trabalho doméstico, política migratória, feminização do trabalho, colonialidade do poder, trabalho afetivo e ética decolonial. Seu livro Migration, Domestic Work and Affect: a decolonial approach on value and the feminization of labor, dividido em sete capítulos, baseia-se em estudo empírico feito com trabalhadoras domésticas latino-americanas e suas empregadoras em quatro países: Espanha, Inglaterra, Alemanha e Áustria. Em que pesem as diferenças nacionais, não olvidadas por Encarnación, na legislação concernente ao trabalho doméstico, o que se destaca é uma política migratória fortemente restritiva na União Europeia, que em poucos meses converte as mulheres latino-americanas que chegam a Europa com vistos de turistas ou de estudantes em migrantes não-documentadas. Esse contexto migratório tem operado com a lógica das insuperáveis diferenças culturais, que não é outra coisa senão uma das expressões do racismo cultural, responsável pela construção da visão das "migrantes não-documentadas" como ameaça à unidade nacional. O discurso que daí emerge não tem somente um efeito sobre as políticas * Resenha do livro GUTIÉRREZ-RODRÍGUEZ, Encarnación. Migration, Domestic Work and Affect: a decolonial approach on value and the feminization of labor.
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Bernardino-Costa, J. (2012). Migração, trabalho doméstico e afeto. Cadernos Pagu, (39), 447–459. https://doi.org/10.1590/s0104-83332012000200016
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