Gestão estratégica em ciência, tecnologia e inovação

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as iniciativas tomadas nesta direção destacam-se: 1) a realização da Conferência Nacional de C&T, que visa preparar o país para o estabelecimento de objetivos estratégicos, linhas de ação, definição de prioridades e do marco institucional para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação para o Brasil na próxi-ma década, e 2) a criação e implementação dos Fundos Setoriais, que criam a obrigatoriedade de aplicação em pesquisa e desenvolvimento de uma parcela dos recursos auferidos no âmbito das ações de privatização e concessão de serviços, além daqueles advindos de outras concessões do domínio econômico. Os Fundos Setoriais, dado estarem orientados para a competitividade da indústria nacional, requerem um novo modelo de gestão, capaz de integrar as instituições dos setores público e privado no processo de defi-nição de prioridades e alocação de recursos. Especial atenção deverá ser dada, neste processo, à integração da academia e do setor empresarial. Além disto, os fundos são geridos por Comitês Gestores compostos por representantes de ministérios setoriais, agências reguladoras, represen-tantes do setor privado e da academia, além das agências de fomento à C&T, o que implica em processo compartilhado de gestão do planeja-mento e execução das ações de pesquisa e desenvolvimento, que devem ser consideradas no desenho do novo modelo. Os Fundos Setoriais representam, ainda, uma oportunidade para intensificar as atividades nacionais em ciência e tecnologia, permitindo ao País recuperar, ampliar e flexibilizar o papel histórico do Fundo Nacio-nal de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), como mecanis-mo de financiamento à infra-estrutura de ciência e tecnologia (C&T), além de atender aos segmentos não diretamente relacionados com os setores apoiados pelos Fundos. Na raiz das principais transformações em curso, encontram-se as idéias de criação de novos ambientes, propícios à geração e absorção de inovações, processos decisivos para a sustentação das dinâmicas de cres-cimento das nações e regiões. A capacidade de produzir inovações, de modo autônomo, continua a representar uma possibilidade ideal capaz de contribuir para o crescimento e desenvolvimento da estrutura produ-tiva de qualquer país, o que tem contribuído para justificar os esforços de inovação de países, como por exemplo, a Nova Zelândia, a África do Sul, a Austrália, o Canadá, a Coréia do Sul, entre outros. A questão que se coloca é se o Brasil é capaz de desenvolver tecnologias que possibilitem o crescimento econômico nacional em bases competitivas, e que permita ao País promover um salto qualitativo na economia por meio de tecnologias na fronteira do conhecimento gera-das, em grande medida, internamente. A pergunta é de que forma se pode chegar a uma situação onde ciência e tecnologia passem a ser trata-das de forma estratégica? A resposta não é simples, nem fácil, não somen-te no caso brasileiro. O conceito de inovação ainda não está completa-mente internalizado nas nossas instituições, e serão necessários muitos esforços até que se tenha no Brasil um sistema nacional de inovação forte e consolidado. Muitos desafios ainda devem ser enfrentados, mas cresce a consciência desta necessidade. Novas iniciativas emergem diariamente, apesar das vozes do passado que se contrapõem ao entusiamo crescente dos que vislumbram o futuro. O momento é o mais propício para que o País perceba que o único caminho a ser trilhado por países em desenvolvimento em busca de suas chances de competir e sobreviver no mundo do futuro deve ser apropri-ar-se dos resultados da ciência e utilizá-los em benefício da sociedade, ou seja, promover e estabelecer o processo de inovação. Existem, no entanto, muitos desafios a serem enfrentados tanto in-ternos quanto externamente ao próprio sistema de C&T. No que diz res-peito à estruturação interna do sistema de C&T, o apaziguamento de

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Resende, R. R. (2017). Gestão estratégica em ciência, tecnologia e inovação. In Biotecnologia Aplicada à Agro&Indústria - Vol. 4 (pp. 1013–1048). Editora Blucher. https://doi.org/10.5151/9788521211150-27

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