Abstract
169 ESTA PASSAGEM do século XX para o XXI a humanidade vive tempos difí-ceis; a exasperação de políticas neoliberais está provocando uma onda de desemprego, de acentuação das desigualdades econômicas e regionais, de desintegração de Estados e de ressurgimento de regionalismo e localismo agressivos. Parece que com o fracasso e o desmoronamento do sistema socialista, morreram as utopias, as ilusões de construção de um mundo melhor, onde haja maior distribuição dos frutos do trabalho e do desenvolvimento tecnológico e melhor relacionamento entre povos, nações e classes sociais. Na verdade, com a queda do muro de Berlim, símbolo da divisão do mun-do entre dois sistemas econômico-sociais, pensaram os cientistas sociais que ha-via terminado uma fase da história e a humanidade iria viver dias de paz e harmo-nia, atenuando-se as divergências de classes e as lutas entre Estados. A lembrança de duas guerras mundiais em um mesmo século, além de uma série de guerras locais, necessitava ser apagada da mente da humanidade; esperava-se a caminha-da do mundo para a harmonia social e para a atenuação das diferenças de classe. O século XXI, previa-se, seria de paz e de confraternização entre os povos. O que se observa, porém, é a exacerbação da exploração dos grupos me-nos favorecidos e a degradação do meio ambiente, com os grandes grupos eco-nômicos obtendo lucros cada vez maiores, sem preocupações com o futuro da humanidade e do próprio planeta Terra; o que se prevê é o fantasma de um século XXI de miséria, de fome e de falta de elementos substanciais à vida huma-na, até da própria água. Já se admite que dentro de algumas décadas a luta pela água será tão intensa e agressiva como a atual luta pelo petróleo. Diante de situação tão angustiante, o homem já está perdendo a capacida-de de formular utopias. A preocupação com a produtividade e a rentabilidade, vem fazendo com que ele deixe de se preocupar com o bem-estar, a eliminação da fome e da miséria, do subdesenvolvimento, enfim. Por que não se procurar novos caminhos, como em livro recente fez John Kenneth Galbraith (1996) ao preconizar a necessidade de se construir uma socie-dade justa, apesar dos percalços que a humanidade enfrenta? Há de sempre se ter a esperança de ver uma luz no fim do túnel. Uma das formas de que podemos lançar mão para construir um futuro, é estudar o pensamento e a ação de homens públicos, de cientistas e de políticos Josué de Castro: o homem, o cientista e seu tempo
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Andrade, M. C. de. (1997). Josué de Castro: o homem, o cientista e seu tempo. Estudos Avançados, 11(29), 169–194. https://doi.org/10.1590/s0103-40141997000100009
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