Abstract
O objetivo último deste texto é refletir sobre a possibilidade de manter o ponto de vista antropológico tradicional, quando o objeto obser- vado faz parte do coração da sociedade do observador. Essa reflexão é efetu- ada por meio de um confronto entre algumas discussões mais ou menos clássicas sobre a observação antropológica e minha experiência de campo, pesquisando eleições e participação política dos movimentos negros em Ilhéus, no sul da Bahia. Deixando de lado qualquer preocupação normati- va, trata-se, através desse confronto, de tentar equacionar uma série de ques- tões cruciais para a antropologia contemporânea: será efetivamente possível assumir um olhar distanciado em relação a algo tão central para o observa- dor quanto a democracia representativa? De que forma e seguindo que pro- cedimentos? Existe alguma diferença entre estudar um grupo de “crentes” (no candomblé, por exemplo) sendo “cético” e um grupo de “céticos” (na política, por exemplo) sendo “crente” ? As supostas diferenças de escala entre objetos, grupos ou sociedades devem inevitavelmente afetar os procedimen- tos de pesquisa?
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Goldman, M. (2003). Os tambores dos mortos e os tambores dos vivos. Etnografia, antropologia e política em Ilhéus, Bahia. Revista de Antropologia, 46(2). https://doi.org/10.1590/s0034-77012003000200012
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