Abstract
Este artigo trata de um debate atual da teoria feminista socialista a partir dos posicionamentos sobre “mulher”, “trabalho” e “natureza” no trabalho da teórica estadunidense Donna Haraway e de suas seguidoras europeias. Uma leitura crítica mostra suas análises pós-moderna inúteis à ação política. O trabalho de cuidado tradicionalmente imputado às mulheres é uma mediação com a natureza por meio do trabalho doméstico no Norte econômico e da agriculturade subsistência no Sul econômico. Enquanto tal, suas qualificações e valores constituem uma ciência vernacular tácita indispensável às lutas políticas por justiça e sustentabilidade. Contra isso: a lúdica celebração pós-moderna de Haraway da tecnociência patriarcal é involuntariamente neocolonial. Ademais, a preocupação idealista com o discurso pode erodir a confi ança das mulheres que resistem nos movimentos de base, assim como a globalização neoliberal consomee degrada a terra. O artigo argumenta a favor de um ecofeminismo materialista e de formas de conhecimento enraizadas na reprodução cotidiana da vida em comum.
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Salleh, A. (2018). A tecnociência pós-moderna e o trabalho de cuidado. Cadernos Cemarx, (10), 175–196. https://doi.org/10.20396/cemarx.v0i10.10926
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