A revolução darwiniana na paleontologia e a ideia de progresso no processo evolutivo

  • Faria F
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A ideia da existência de uma tendência dos organismos ao progressivo aumento de complexidade da or-ganização corporal já se fazia presente em tempos anteriores ao evolucionismo. Com a aceitação das teo-rias evolutivas, vários naturalistas, e especialmente aqueles que trabalhavam com fósseis, passaram a defender a ocorrência de tal tendência no processo evolutivo. Essa nova forma de abordar a ideia de pro-gresso na natureza recebeu várias interpretações até o momento do surgimento da síntese evolutiva mo-derna, que pouco espaço deixou para a existência de outro elemento orientador da evolução, que não fosse aquele proposto por Darwin. Palavras-chave ● Progresso. Complexidade. Organização corporal. Evolução. Fósseis. Introdução Os impactos do processo que ficou conhecido como revolução darwiniana repercuti-ram em diversos campos do conhecimento humano, principalmente em áreas como as ciências que estudam ou utilizam dados sobre a história da vida. Elas tiveram seus ob-jetivos cognitivos rapidamente transformados em função da introdução do evolucionis-mo como fator orientador das pesquisas e, mediante essa situação, iniciou-se uma busca por evidências que apoiassem as hipóteses elaboradas sob essa nova orientação. Mesmo não havendo um consenso sobre a ocorrência de um processo revolucio-nário no âmbito das diversas áreas que compõem as atuais ciências biológicas, como citado por Thomas Kuhn (1962, p. 20, 150, 170, 171), é impossível negar as grandes transformações sofridas por essas áreas do conhecimento que, apesar de já estarem em andamento, receberam um enorme impulso com a publicação das teorias de Charles Darwin, em seu livro de 1859 (cf. Bowler, 1976, p. 12; 1983, p. ix-x; 1996, p. 14-6; Mayr, 1998, p. 559-65, 988; Rudwick, 2005, p. 7; Ruse, 2009, p. 1040). Particularmente, no âmbito da paleontologia, instaurada como ciência através da aceitação dos trabalhos de naturalistas, tais como, por exemplo, Georges Cuvier (1769-1832), novos objetivos cognitivos foram incorporados quando os paleontólo-scientiae zudia, São Paulo, v. 10, n. 2, p. 297-326, 2012

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Faria, F. (2012). A revolução darwiniana na paleontologia e a ideia de progresso no processo evolutivo. Scientiae Studia, 10(2), 297–326. https://doi.org/10.1590/s1678-31662012000200005

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