Abstract
A previsão de Galbraith em 1967 de que o conhecimento estava substituindo o capital como o fator estratégico de produção mostrou-se verdadeira. O papel estratégico desempenhado pelo conhecimento técnico, organizacional e comunicativo, juntamente com a o surgimento das organizações, como as unidades básicas de produção, deu origem a uma nova classe social – a classe média profissional –, caracterizada pela propriedade coletiva das orga- nizações. No entanto, o surgimento da classe dos técnicos não implicou o aparecimento de um novo sistema social, nem envolveu a concentração de poder político nas mãos da nova classe. A economia continuou sendo controlada pelo mercado e orientada para o lucro, e, portanto, capitalista. Em vez de capitalismo clássico, o que temos é um capitalismo dos téc- nicos, ou um capitalismo do conhe- cimento – um sistema em que capi- talistas e técnicos dividem lucro e poder, ao mesmo tempo em que lu- tam por eles. No entanto, como a democracia se tornou também o re- gime político dominante no século XX, ambas as classes perderam po- der para os cidadãos e para os polí- ticos que os representam. A longo prazo, no conflito por poder com os capitalistas, a posição dos técnicos dependerá de sua capacidade, já al- gumas vezes comprovada, de aliar- se ao povo.
Cite
CITATION STYLE
Bresser-Pereira, L. C. (2005). Capitalismo dos técnicos e democracia. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 20(59), 133–148. https://doi.org/10.1590/s0102-69092005000300009
Register to see more suggestions
Mendeley helps you to discover research relevant for your work.