Abstract
Recentemente, o desenvolvimento e a busca por estratégias de tratamento em diferentes desordens neuro-lógicas têm se baseado na identificação dos déficits musculares advindos de tais desordens, principalmente no que diz respeito à capacidade de gerar força muscular. O déficit de força muscular tem sido priorizado terapeu-ticamente a fim de que a intervenção direcionada para o nível estrutura e função corporal possa modificar o desempenho funcional dos indivíduos, num processo denominado "bottom-up". Dessa forma, o fortalecimento muscular tem sido utilizado no tratamento dos distintos transtornos que envolvem o neurônio motor superior, como na Doença de Parkinson (DP). A partir de meados da década de 90, sugeriu-se que a fraqueza muscular, juntamente com o tremor, a rigidez, a bradicinesia e a instabilidade postural poderiam contribuir para o pior desempenho funcional dos indivíduos com DP. Desde então, os pesquisadores passaram a investigar a con-tribuição da fraqueza muscular bem como o impacto de exercícios de fortalecimento em atividades como a marcha de tais indivíduos, com resultados que demonstraram pequeno tamanho de efeito após intervenção. Tais aspectos, associados a limitações metodológicas importantes, impediram, até então, o estabelecimento de uma clara relação causal entre ganho de força e melhor desempenho da marcha. Mais recentemente, fatores como a potência muscular têm explicado mais da variância na marcha de indivíduos com DP do que a força muscular. Ou seja, é possível que mudanças na potência muscular tenham maior impacto na marcha do que modificações da força muscular nessa população. A potência muscular é o produto da força pela velocidade e se traduz na capacidade de produzir força rapida-mente. Qualquer limitação na produção de um ou de ambos os aspectos irá interferir na geração da potência do músculo 1. O estudo de Allen et al. 2 mostrou que indivíduos com DP apresentaram menor potência muscular do que indivíduos sem a doença, principalmente sob condições de teste com cargas baixas e moderadas. Segundo os autores, tal diminuição pode ser atribuída à bradicinesia e pode influenciar a capacidade de gerar força muscular rapidamente requerida para a execução de diferentes atividades diárias 2. Além disso, Allen et al. 3 demonstraram que a potência muscular é um preditor mais importante do que a força no desempenho funcional da marcha e do risco de quedas em indivíduos com DP. A importância dos achados citados acima se deve ao fato de que, possivelmente, a bradicinesia ou lentidão motora seja o déficit muscular a ser trabalhado na DP. A bradicinesia juntamente com os déficits na marcha representam uma parte importante das manifestações clínicas da DP 4,5. Há aproximadamente 10 anos, Berardelli et al. 4 publicaram em seu artigo Pathophysiology of bradykinesia in Parkinson's disease que a bradicinesia não seria resultante apenas da incapacidade em recrutar força muscular, mas, sim, de uma inabilidade em recrutá-la rapi-damente de acordo com a demanda do contexto 4. Esse entendimento pode ser o ponto de partida no desenvolvi-mento de abordagens terapêuticas que atendam as reais necessidades dos indivíduos com DP.
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Lima, L. O., & Rodrigues-de-Paula, F. (2012). Treinamento da potência muscular: uma nova perspectiva na abordagem fisioterápica da doença de Parkinson. Brazilian Journal of Physical Therapy, 16(2), 173–174. https://doi.org/10.1590/s1413-35552012000200014
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