Abstract
Por meio de dados etnográficos provenientes dos Matis, grupo de língua pano, este artigo tematiza a ritualização do antagonismo sexual na Amazônia. Em particular, analisa-se o pequeno repertório de sons ou gritos que homens e mulheres utilizam em certos contextos rituais, argumentando que eles formam um sistema que deve ser interpretado à luz da complementaridade sexual e da transformabilidade generalizada que caracterizam as cosmologias ameríndias. Pretende-se ademais contribuir para o debate, recentemente reavivado, entre americanistas e oceanistas, que têm no complexo das flautas, máscaras e cultos a elas associados um foco privilegiado de interesse.This article is concerned with the ritualization of sexual antagonism in Amazonia through an analysis of ethnographic data from the Matis, a Panoan-speaking group. More specifically, it analyzes the small repertoire of sounds and shouts which men and women use in certain ritual contexts, arguing that they form a system which should be interpreted in light of the sexual complementarity and generalized transformability which is characteristic of Ame- rindian cosmologies. Finally, it hopes to contribute to the recently revisited debates among Americanists and Ocea-nists, who find in flute complexes, masks and the cults with which they are associated, a common theme.
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Erikson, P. (2000). “I”, “Uuu”, “Shhh”: gritos, sexos e metamorfoses entre Os Matis (Amazônia Brasileira). Mana, 6(2), 37–64. https://doi.org/10.1590/s0104-93132000000200002
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