Abstract
A violência familiar é considerada uma questão prioritária em saúde pública, sendo o problema ainda mais marcante na infância. Informações referentes à morbidade deste agravo podem estar subdimensionadas devido a entraves na detecção de casos. O objetivo deste estudo é contrastar a magnitude da violência contra a criança, aferida ativamente em um ambulatório, com a casuística espontânea do serviço. Foram realizadas 245 entrevistas entre abril e junho de 2001, utilizando-se as Conflict Tactics Scales: Parent-Child Version (CTSPC) e a Revised Conflict Tactics Scales (CTS2) para aferir os eventos violentos. Os casos encaminhados ao Serviço Social representaram a casuística do serviço no período da busca ativa (12 meses). Encontrou-se uma elevada prevalência de violência física entre o casal, com eventos graves ocorrendo em 17,0% das famílias. Em relação à criança, agressões físicas "menores" foram referidas em 46,0% de famílias, porquanto a forma grave, em 9,9%. A prevalência identificada espontaneamente foi de 3,3%. Este estudo de caso mostra as oportunidades perdidas de detecção e chama-se a atenção para a necessidade de rever a abordagem da violência familiar em serviços de saúde.Domestic violence, particularly in childhood, is a growing public health concern. Information on morbidity is mostly underreported due to constraints in case detection. This paper analyzes the frequency of events measured actively by outpatient services as compared to spontaneous reports. Information on violence was assessed for 245 families from April to June 2001 using the Conflict Tactics Scales: Parent-Child Version (CTSPC) and the Revised Conflict Tactics Scales (CTS2). Cases referred to the Social Work Department provided the caseload for the active search period (12 months). There was a high prevalence of physical violence in the couple, with serious events occurring in 17.0% of the families. In relation to children, cases of "minor" physical aggression were reported in 46.0% of families and serious cases in 9.9%. The spontaneously identified prevalence was 3.3%. This case study demonstrates the missed opportunities for detection and calls attention to the need to review the approach to domestic violence by health services.
Cite
CITATION STYLE
Moura, A. T. M. S. de, & Reichenheim, M. E. (2005). Estamos realmente detectando violência familiar contra a criança em serviços de saúde? A experiência de um serviço público do Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 21(4), 1124–1133. https://doi.org/10.1590/s0102-311x2005000400014
Register to see more suggestions
Mendeley helps you to discover research relevant for your work.