Abstract
Nesta última edição de 2024, gostaríamos de refletir sobre nossas pesquisas empíricas e ensaios teóricos e científicos como expressões da natureza humana e suas interações com o conhecimento. Não raramente, a academia é descrita como uma assembleia de indivíduos arrogantes, teóricos, distantes do “mundo real”. Por outro lado, os acadêmicos tendem a nutrir um certo desprezo pelo mundus communis. Arendt (2018) usou este conceito de “mundo comum” para descrever o espaço público onde os seres humanos interagem e constroem uma realidade compartilhada por meio do discurso e da ação. Nesse espaço público, discursos rasos, equivocados e falsos são propositadamente produzidos, reproduzidos e consumidos sem que haja nenhuma reflexão crítica, pois há sujeitos ávidos por fatos e dados, mesmo que falsos, que atendam às suas necessidades racionais e cognitivas (Albright, 2017) e tenham saciada sua necessidade de autoafirmação (detentores de um conhecimento ou informação privilegiada), de pertencimento a um grupo, as chamadas “tribos”, e, por fim, de conexão emocional com um assunto ou personalidade específica (Girão et al., 2023). E quando os acadêmicos se deparam com esses (fragmentos de) discursos, não hesitam em afirmar: “A ignorância é atrevida.” Todavia, a rigor, o que é ser atrevido? O que é ser ignorante? Responder a essas perguntas é o primeiro passo para (re)pensarmos nossos papéis sociais como professores e pesquisadores.
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IRIGARAY, H. A. R., VASCONCELOS, F. C. D., & STOCKER, F. (2024). A ignorância é atrevida: quem tem medo da ciência? Cadernos EBAPE.BR, 22(6). https://doi.org/10.1590/1679-395192377
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