Abstract
Editorial A avaliação da vitalidade fetal é, sem dúvida, de grande utilidade em Obstetrícia, sendo a dopplervelocimetria um dos métodos disponíveis para essa finalidade. Na atualidade, apesar do reconhecimento da utilidade da dopplervelocimetria para avaliação do bem-estar fetal, tem sido necessário que se reflita sobre que casos realmente se beneficiam dessa tecnologia e também sobre algumas particularidades da interpretação dos resultados desse exame. A dopplervelocimetria permite a avaliação da circulação materna (artérias uterinas), feto-placentária (artérias umbilicais) e fetal (artéria cerebral média, aorta abdominal, re-nais, ducto venoso, seio transverso) 1. Essa tecnologia disponibiliza, de forma não invasiva, possibilidade única de identificação de casos de insuficiência placentária e de avaliação das alterações hemodinâmicas fetais que ocorrem em resposta ao deficit de oxigênio. Considerando-se as competências do exame de dopplervelocimetria, a seleção dos casos que se beneficiarão da utilização desse método deve ser iniciada pela inclusão de gestações que cursem com doenças maternas ou intercorrências obstétricas, nas quais a freqüência da insuficiência placentária é elevada. Destacam-se as gestações que se associam à hipertensão arterial em todas as suas formas, ao diabetes mellitus tipo I e tipo II, às trombofilias congênitas e adquiridas, e às cardiopatias-principalmente as cianóticas e àquelas que levam à grave comprometimento funcional da placenta, como lupus e pneumopatias restritivas. Propôs-se também, além do diagnóstico e seguimento da insuficiência placentária, a utilização da dopplervelocimetria com o intuito de predizer a ocorrência de restrição de crescimento fetal e pré-eclâmpsia 2. Para esse fim, foram realizados estudos empregando-se a avaliação das artérias uterinas com o uso da dopplervelocimetria em gestações de alto e baixo risco para insuficiência placentária. Esperava-se que a invasão trofoblástica inadequada fosse acompanhada de modificações evidentes nos parâmetros doplervelocimétricos daquelas arté-rias e que, desta forma, fosse possível predizer e, até mesmo, evitar a ocorrência de restrição de crescimento fetal e de pré-eclâmpsia. Apesar da euforia inicial, a dopplervelocimetria de artérias uterinas não se mostrou capaz de predizer essas intercorrências obstétricas e houve, ainda, outro fato que desencorajou sua utilização como rotina: a impossibilidade de tratamento eficaz que realmente modificasse o prognóstico dessas gestações.
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Francisco, R. P. V., & Zugaib, M. (2008). Análise crítica da dopplervelocimetria para avaliação da vitalidade fetal. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 30(4). https://doi.org/10.1590/s0100-72032008000400001
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