Abstract
O objetivo deste artigo é empregar conceitos derivados de diversas tradições teóricas para enfatizar a inextricável interrelação entre as ideias que circundam a inteligência artificial e seus efeitos tangíveis na construção material e na organização social do mundo contemporâneo. A partir da etnografia da cultura e do poder de Eric Wolf damos relevo ao que seria o poder estrutural e o poder organizacional no contexto do capitalismo de vigilância. Aprofundamos as discussões sobre poder nas relações Norte-Sul a partir de referências do que alguns autores chamam de virada decolonial nos estudos sobre a digitalização contemporânea do mundo. Propomos uma etnografia que observe as assimetrias de poder entre Norte e Sul, manifestadas tanto no domínio tecnológico quanto em contextos históricos de dominação. A etnografia proposta deve considerar essas desigualdades, observando como tecnologias e práticas do Norte influenciam e são adotadas no Sul, e como elites do Sul, alinhadas ao Norte, medeiam e se beneficiam dessas relações.
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Evangelista, R. (2023). Por uma etnografia do poder na inteligência artificial, no capitalismo de vigilância e no colonialismo digital. Aurora. Revista de Arte, Mídia e Política, 16(47), 112–133. https://doi.org/10.23925/1982-6672.2022v15i47p112-133
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