Abstract
A estrutura da comunidade de algas perifíticas em distintos substratos naturais (Eichhornia azurea Kunth, Nymphaea amazonum Martius e Zuccarini e Oxycaryum cubense (Poeppig e Kunth) Lye) foi verificada em um ambiente semilótico conectado permanentemente ao rio Paraná, na planície de inundação do alto rio Paraná. De junho/2008 a março/2009 trimestralmente, amostras coletadas de pecíolos destas três macrófitas foram submetidas à raspagem para remoção da comunidade perifítica. Concomitantemente foram levantados dados limnológicos do ambiente de estudo. O ano de 2008 foi caracterizado pela irregularidade dos pulsos de inundação, dos níveis hidrométricos e dos períodos hidrológicos do rio Paraná. O efeito homogeneizador pôde ser observado apenas para ambientes conectados no caso o ressaco do “Pau Véio”. Não foi possível distinguir os períodos característicos de águas altas e águas baixas. Foram encontrados 406 táxons de algas perifíticas. As classes mais representativas corresponderam à Bacillariophyceae, Zygnemaphyceae, Cyanobacteria e Chlorophyceae. A similaridade taxonômica baseada na composição dos táxons nos períodos e substratos amostrados evidenciou uma distinção principalmente nos meses de coleta, o qual junho diferenciou-se significativamente dos demais. As diferenças na composição das algas perifíticas entre os substratos foram pouco pronunciadas e deveram-se, principalmente, à O. cubense. Trinta e um táxons dominantes nos distintos períodos e substratos foram descritos e ilustrados, os quais 23 constituíram primeiras citações taxonômicas para a planície do alto rio Paraná. O. cubense deteve a maior riqueza específica de algas perifíticas, seguido por E. azurea, no entanto os valores médios deste atributo não foram significativamente diferentes. O substrato que comportou os maiores valores médios de densidade algal correspondeu à E. azurea, que possui arquitetura e morfologia mais resistente e propícia ao desenvolvimento das algas perifíticas, principalmente das diatomáceas. Nymphaea amazonum assumiu posição intermediária, enquanto que O. cubense, em razão de sua arquitetura frágil e morfologia delicada, comportou as menores densidades, favorecendo principalmente algas metafíticas, como os táxons da classe Zygnemaphyceae. Os valores de diversidade foram elevados para os três substratos, com oscilações significativas em E. azurea, atentando-se à importância da diversidade de substratos para o perifíton. Quanto ao período, riqueza mais elevada ocorreu em novembro/2008 e março/2009, o contrário para a densidade, com menores valores neste período. Em junho e setembro/2008 foi prevalente a classe Bacillariophyceae (predominantemente representada por Achnanthidium minutissimum), seguida por Cyanobacteria, tanto para riqueza quanto para a densidade. Este fato representa a maior tolerância dessas algas em períodos de estresse, como escassez de nutrientes e baixas temperaturas ocorrentes em junho/2008, em razão da maior vantagem competitiva perante os demais grupos algais. Novembro/2008 e março/2009 caracterizaram-se por valores médios de níveis hidrométricos maiores e temperaturas mais altas, o que pode ter influenciado o ambiente com a entrada de propágulos e o estabelecimento de um maior número de táxons em razão do evento perturbatório. A baixa similaridade taxonômica e as divergências significativas na riqueza, densidade e diversidade da comunidade de algas perifíticas demonstraram a segregação primariamente temporal, e em segundo nível espacial, mas pouco pronunciada, das algas perifíticas. Estas divergências deveram-se, primeiramente, às flutuações diárias nos níveis hidrométricos que caracterizaram os meses amostrados, consequentemente conferindo variabilidade às características limnológicas do ressaco. A morfologia e arquitetura das macrófitas promovem um ambiente com condições específicas, as quais influenciaram secundariamente a comunidade de algas perifíticas. A arquitetura de O. cubense provavelmente foi responsável pelas maiores diferenças entre as comunidades perifíticas dentre os distintos substratos, em razão da morfologia do caule e da bainha foliar que proporcionam um microhabitat diferenciado. E. azurea e N. amazonum apresentam morfologias de pecíolos aparentemente mais semelhantes.
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Fonseca, I. A., & Rodrigues, L. (2005). Comunidade de algas perifíticas em distintos ambientes da planície de inundação do alto rio Paraná. Acta Scientiarum. Biological Sciences, 27(1). https://doi.org/10.4025/actascibiolsci.v27i1.1354
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