Abstract
Considerando-se, à luz das contribuições freudianas mais tardias, que o traumático, entendido como excesso pulsional, estaria situado além da capacidade de representação psíquica, exploramos neste artigo a estreita articulação entre trauma e "indizível". Para tal, são retomados alguns aspectos centrais da teorização psicanalítica sobre o trauma, aspectos relacionados com a sua dimensão "intransmissível". Segundo esta visada, o trauma constitui um vivido que ultrapassa a capacidade psíquica de apropriação e de recalcamento. Nosso objetivo é mostrar como a ideia de uma narrativa impossível, mas absolutamente necessária - eixo central do presente artigo - parece aplicar-se perfeitamente ao sofrimento indizível posto em cena a partir da experiência traumática, e que torna tão fundamental a paradoxal tarefa de narrá-la.In this paper we examine the strict articulation between trauma and the "unsayable", taking into account that in the light of the latest Freudian contributions, the traumatic, understood as drive excess, would be situated beyond the capacity of psychical representation. For that, we analyze some central features of psychoanalytical theorizing on trauma, related to its "untransmissible" dimension. From that perspective, trauma constitutes an experience that exceeds the psychical capacity to appropriate and to repress. Our aim is to point out that the idea of an impossible, though absolutely necessary, narration - central axis of this paper - appears to fit the unsayable pain introduced by the traumatic experience, and makes essential the paradoxical task of narrating it.
Cite
CITATION STYLE
Maldonado, G., & Cardoso, M. R. (2009). O trauma psíquico e o paradoxo das narrativas impossíveis, mas necessárias. Psicologia Clínica, 21(1), 45–57. https://doi.org/10.1590/s0103-56652009000100004
Register to see more suggestions
Mendeley helps you to discover research relevant for your work.