Abstract
ão há mágica nem receita fácil. Tampouco há garantia de sucesso. Mesmo assim a indústria brasileira começou a discutir a conveniência dos gru-pos semi-autônomos como instrumentos emuladores do desempenho operacional. As experiências no Brasil, ain-da que raras, sugerem que certas mudanças organiza-cionais que se baseiam na redistribuição do poder decisório no chão de fábrica, ampliando a autonomia das equipes de trabalhadores, podem ser eficazes, pro-dutivas e mais democráticas a um só tempo. Mais do que isso, o funcionamento efetivo dos grupos semi-au-tônomos em alguns ramos da nossa indústria se aproxi-ma bastante de experiências bem-sucedidas em países com padrões produtivos muito mais avançados do que o brasileiro. Essa é uma das conclusões a que chegou Roberto Marx, em seu livro Trabalho em grupos e autonomia como instrumentos da competição, recém-lançado pela editora Atlas. Originalmente uma tese de doutorado pela Escola Politécnica da USP, essa obra carrega uma dupla marca: a da formação multidisciplinar que se desenvol-ve no Departamento de Engenharia de Produção – do qual Marx também é professor – e a das pesquisas de campo na Suécia, em fábricas da Volvo. Mesclando abordagens da engenharia com as da administração de empresas, a sociologia do trabalho com a ergonomia, Marx elaborou uma das primeiras tentativas de sistematização, classificação e avaliação das iniciativas de implantação de trabalho em grupo e sua relação com autonomia e competitividade na indús-tria de hoje. Sem mistificações, o livro procura mostrar como essa etiqueta – trabalho em equipe – é compreendida das mais diferentes maneiras no meio empresarial, servindo si-multaneamente aos mais variados propósitos. Na ver-dade, um número expressivo de conceitos e preconcei-tos distintos sobre autonomia, confiança, responsabili-dade, processo, participação e democracia esconde-se sob sua difusão pela imprensa, pelos departamentos de marketing das empresas e pelos gurus do modern management. Exatamente por conhecer os meandros dessa discus-são, Marx arregaçou as mangas e discutiu o significado dessas experiências para a indústria e para a economia. Trata-se, portanto, de pesquisa séria, que merece ser lida por quem busca orientação diante do emaranhado de con-cepções que procuram se diferenciar – camuflando – ou superar – inovando – os velhos métodos tayloristas da produção em massa. O mundo industrial, como o da política, é recheado de lendas e mitologias. Precisamente por isso, torna-se difícil o debate sobre sua trajetória, mesmo nas uni-versidades. Distinguir e ordenar as mudanças é tarefa básica nos tempos modernos, principalmente quando sabemos que a formação de novos modelos está inti-mamente ligada à compreensão, aos interesses e ao jogo da economia política, no qual estão imersos seus designers. Esse é um dos motivos pelos quais as inovações na organização do trabalho e da produção, basicamente as desenvolvidas pelo Grupo Volvo em Uddevalla (
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Arbix, G. (1998). Trabalho em grupos e autonomia como instrumentos da competição. Revista de Administração de Empresas, 38(4), 72–77. https://doi.org/10.1590/s0034-75901998000400009
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