Abstract
em História Social da Cultura pela PUC-RJ. Atualmente cursa o Doutorado em Performance Studies na New York University. urante os anos 70, a arte da performance e a body art exploraram, de maneiras ines-peradas e provocativas, o colapso dos limi-tes entre vida e arte provocado inicialmen-te pela Action painting, a arte conceitual, e os Happenings dos anos 60, trazendo para o pro-cesso de produção e de recepção da arte um sig-nificado totalmente novo. Da mesma forma que os Happenings, a performance e a body art exibem uma flexibi-lidade estrutural e uma indefinição que rom-pem com a convencionalidade e as restrições formais das práticas tanto do teatro quanto das artes visuais. Conceitualmente, a arte da performance é complexa e polêmica, não apenas porque abri-ga uma multiplicidade de formas, mas também porque, enquanto "gênero", tem estado em per-manente transformação desde o seu surgimento. O forte conteúdo de artes visuais que apresen-tava no início deu lugar, ao longo das duas últi-mas décadas, a uma performance mais orienta-da pela narrativa. A despeito dessa flexibilidade conceitual, pode-se afirmar que um dos traços principais da arte da performance é o seu caráter autoral. Na cena teatral, o que se tem é um personagem já escrito que é trazido à vida por um ator; pode ser descrita, portanto, como uma citação na qual a natureza fictícia do personagem e de suas ações é evidente. Justamente por esta razão é que J. L. Austin exclui a representação teatral de sua de-finição de elocuções performativas, rotulando-a de parasítica. Austin observa que a elocução performativa dita por um ator no palco é nula ou vazia, uma vez que ele não faz alguma coisa, mas representa uma ação. A função do ator é portanto interpretativa. Na arte da performance, o performer é o autor do seu próprio script. Além do mais, a performance quase sempre exibe uma forte atu-alidade e é bastante responsiva às questões polí-ticas e sociais do momento. Diferentemente do ator teatral, o performer não pretende represen-tar um outro e habitar um espaço e tempo fictí-cios. Como Lynda Hart apropriadamente ob-serva, "a arte da performance não permite a per-cepção da distância entre o performer e sua linguagem e gestos, que o ator possui automati-camente através do uso histórico do 'personagem'" (Hart, 1996, p. 115-6). A razão dessa dificulda-de em distanciar o performer de sua linguagem
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Bernstein, A. (2001). A performance solo e o sujeito autobiográfico. Sala Preta, 1, 91–103. https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v1i0p91-103
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