Abstract
Resumen En el ámbito de un seminario realizado en la FPCEUP[1], Chris-tian Lascaux, realizador que desarrolla su actividad en equipos de ergonomía y de psicología laboral del CNAM[2], del CNRS[3] y de la Universidad de Paris 8[4], nos permitió adquirir otro punto de vista sobre el uso del vídeo en el análisis de la activi-dad: el recurso a la película contribuye no apenas para auxil-iar la observación de la situación de trabajo, como soporta el desarrollo de otros métodos de análisis del trabajo, ofreciendo una oportunidad de enfrentamiento de los trabajadores con sus prácticas laborales, como nos demuestra el método de autoen-frentamiento (Clot et al., 2000). Múltiplas cuestiones surgen en el momento de filmar: ¿Cómo y cuando utilizar la película? Cuál es el material necesario? ¿Cuánto debe durar la filmación? La respuesta a estas preguntas integra el reconocimiento de que no es posible presentar una respuesta única, la cual depende del contexto específico, del pedido formulado, de los objetivos subyacentes y de las opciones metodológicas asumidas. Palabras-clave: Filmación; Análisis de la actividad; Au-toenfrentamiento; Estrategias de realización. 1. A utilização do vídeo na aproximação ao real O recurso à gravação de imagens na análise da actividade de trabalho tem uma história relativamente recente. Aquando do surgimento da obra " Analyse du travail " de Ombredane e Faver-ge (1955), foi pedido à equipa destes autores a realização de um filme sobre análise do trabalho. É então neste contexto que surge a aplicação desta técnica com um fim específico, tratan-do-se na altura de difundir melhor as pesquisas desenvolvi-das. No entanto, este filme não teve tanto impacto como a obra es-crita – apenas recentemente foi (re)descoberto e analisado. Ain-da assim, utilizava-se pela primeira vez este procedimento para procurar uma maior aproximação ao que se passava em contex-to real de trabalho. Paralelamente a esta ênfase da démarche ergonómica no real, também no cinema existe uma técnica específica, designada por " técnica do cinema directo " , que nos anos 60 revelou ter uma grande influência na nova vaga de realizadores que surgiu na Europa. O objectivo consistia em filmar a realidade tal como ela aparecia, " fixá-la " , fazer do cinema/vídeo um instrumento ao seu serviço, não havendo guiões nem cenários. É esta a época em que se dá o grande desenvolvimento dos documentários, das filmagens na rua, dos " directos " , com gravação em tempo real da imagem e do som, não manipulando as situações e acontecimentos apresentados ao público – princípio que vem adequar-se à prossecução dos objectivos da ergonomia. No âmbito da ergonomia, são fisiologistas os primeiros a utilizar este método, pretendendo explicitar em pormenor as posturas, gestos e movimentos do corpo humano. Lascaux (2005) relata uma investigação na qual dois fisiologistas incorporaram luzes de Natal em fatos de trabalho de operadores, filmando depois com o mínimo de luz possível, o que permitiu tirar conclusões sobre os movimentos precisos implicados em determinadas ac-ções. Desde estes primeiros momentos, as potencialidades da utiliza-ção do filme foram ampliadas, tanto mais com a evolução das possibilidades técnicas das câmaras, das técnicas e estratégias do filme e do vídeo e da própria difusão do meio audiovisual. As câmaras de filmar foram sendo tornadas mais leves e mais sensíveis, permitindo a filmagem em situações de reduzida ilu-minação ou mobilidade. Também a melhoria da película acabou por revolucionar as possibilidades oferecidas pela técnica de filmagem directa: esta viria a permitir captar o real, um real que então passou a incluir também tudo aquilo que permanecia ainda invisível a olho nu. É sobre o importante papel da gravação vídeo como instrumen-to de observação e suporte à intervenção que nos debruçare-mos seguidamente com mais pormenor.
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Cunha, L., Mata, R. G., & Correia, F. (2006). Luz, câmara, acção : orientações para a filmagem da actividade real de trabalho. Laboreal, 2(1). https://doi.org/10.4000/laboreal.13609
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