Influência do colostro na colonização bacteriana normal do trato digestivo do recém-nascido

  • Penna F
  • Nicoli J
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Abstract

Influência do colostro na colonização bacteriana normal do trato digestivo do recém-nascido Influence of colostrum on normal bacterial colonization of the neonatal gastrointestinal tract A microbiota normal associada ao trato digestivo humano é constituída por um número considerável de microorganismos (10 14 células viáveis/indivíduo) perten-centes a aproximadamente 300 a 400 espécies microbianas diferentes/indivíduo que desenvolvem funções importantes no local que colonizam 1 . Três grandes funções podem ser citadas: a) a resistência à colonização, que pode ser defini-da como a capacidade de impedir ou reduzir a multiplicação de microorganismos exógenos que por acaso penetram no ecossistema digestivo; b) a imunomodulação, que permite uma resposta das defesas imunológicas locais e sistêmicas mais rápida, mas tam-bém adequada na sua intensidade; c) a contribuição nutricional, que oferece diversas fontes energéticas e de vitami-nas, além de participar da regulação da fisiologia digestiva do hospedeiro. Ao nascimento, a criança se apresenta totalmente livre de microbiota associada, e é fundamental para ela que as suas superfícies e mucosas sejam o mais rapidamente colonizadas pelos microorganismos que de-senvolvem as funções citadas acima. Aparentemente, a microbiota gastrintestinal de uma criança só chega às carac-terísticas populacionais e funcionais de um adulto após seis meses a um ano de vida (Rolfe, 1990). Portanto, a fase de colonização digestiva no recém-nascido é um período crí-tico durante o qual a chegada de um microorganismo potencialmente patogênico num ecossistema ainda incom-pleto e pouco funcional pode ser extremamente prejudicial. Diversas evidências sugerem ainda que uma seqüência de implantação anormal leva (talvez de maneira irreversível) a uma microbiota menos eficiente nas suas funções. Uma colonização rápida e segundo a cinética correta é, portanto, fundamental para o estabelecimento de um ecossistema microbiano digestivo com funções potentes. É de se perguntar, neste momento, onde o recém-nascido obtém os microorganismos que constituirão a sua microbiota digestiva normal e quais são os fatores que podem facilitar ou, ao contrário, dificultar a obtenção e instalação desses componentes do ecossistema gastrintesti-nal. A mãe é a primeira fonte desses microorganismos, tanto durante o parto, quando o recém-nascido entra em contato com os ecossistemas vaginal e fecal da mãe, quanto poste-riormente, quando entra em contato com o ecossistema cutâneo nos contatos íntimos da amamentação. Aqui surge mais uma pergunta: todas as mães são naturalmente boas doadores destes microorganismos? No caso de uma carre-gadora sadia de um patógeno, isso não seria problemático? Variações podem ocorrer na cinética de implantação do ecossistema digestivo do recém-nascido em função de fatores que perturbam o fornecimento dos microorganis-mos pela mãe como o tipo de parto (natural ou cesariana) ou a necessidade de isolamento (CTI, prematuro mantido em estufa) 2 . Fatores próprios do hospedeiro cer-tamente têm também uma influência fun-damental na colonização, controle, com-posição e função da microbiota digesti-va. A natureza e quantidade desses fatores endógenos dependem provavelmente de características genéticas, nu-tricionais, fisiológicas e psicológicas do hospedeiro, entre outras. Alguns componentes do colostro e do leite humano são conhecidos por oferecerem condições nutricionais fa-voráveis para a implantação de alguns grupos bacterianos de importância para a saúde do hospedeiro como as Bifido-bacteria. Os fatores bifidi são uma família de oligossacarí-deos presentes em quantidade elevada somente nas secre-ções lácteas humanas; pelas características de ligações das suas unidades; só podem ser utilizados pelas Bifidobacte-ria. Podem ser considerados, portanto, como fatores de crescimento que favorecem a implantação específica des-sas bactérias no trato digestivo do recém-nascido humano. Uma vez instaladas, a baixa capacidade tamponante do leite humano permite também uma melhor atuação das bactérias produtoras de ácido láctico pelo abaixamento do pH intes-tinal desfavorável ao crescimento de vários microorganis-mos patogênicos. Se o colostro e o leite possuem proprie-dades estimulantes para a instalação como para a atuação de certos grupos bacterianos da microbiota normal digestiva, em compensação eles não são fontes desses microorganis-mos, já que essas secreções são (e devem ser) produzidas estéreis. Uma colonização microbiana pode ocorrer em níveis baixos no ato da secreção com fontes superficiais que provavelmente variam dependendo das condições higiêni-cas e do ecossistema cutâneo individuais. Veja artigo relacionado na página 265

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Penna, F. J., & Nicoli, J. R. (2001). Influência do colostro na colonização bacteriana normal do trato digestivo do recém-nascido. Jornal de Pediatria, 77(4). https://doi.org/10.1590/s0021-75572001000400002

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