O impacto potencial da atual estrutura de financiamento da gestão descentralizada do SUS na redução de desigualdades regionais

  • Martins Júnior F
  • Silva A
  • Solla J
  • et al.
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Abstract

The potential impact of the current financing structure of the SUS decentralized management in the reduction of local inequalities C&SC As atuais modalidades de financiamen-to da gestão descentralizada do Sistema Único de Saúde (valores per capita nacionais, incenti-vos financeiros) tem potencial para reduzir de-sigualdades inter-regionais? Que aspectos de-vem ser revistos e/ou aperfeiçoados? FMJr Sem dúvida, a adoção de um per capita para o Piso da Atenção Básica, previsto na NOB/ 96, foi um dos grandes incentivadores da am-pliação da municipalização da saúde e, conse-qüentemente, responsável pela ampliação da cobertura do SUS. Até então só havia possibili-dade de recebimento de recursos pelos municí-pios através da produção de serviços, o que não favorecia a ampliação da rede, pois era neces-sário produção anterior para a garantia de re-cebimento de recursos. Entretanto, mesmo reconhecendo a impor-tância, em determinado momento, da adoção desse critério, entendo que já poderíamos ter avançado na direção do cumprimento do art. 35 da lei 8.080/90, aliando ao per capita outros critérios que permitissem reconhecer as pecu-liaridades locais. A princípio a lógica foi de dis-seminar a cobertura mínima, que hoje já não é suficiente para as necessidades do SUS, sendo preciso a instituição de outros critérios que re-conheçam as diversidades regionais. Quanto aos incentivos financeiros, esses têm sido utilizados para a indução de estraté-gias de atenção pensadas de forma centraliza-da, sem reconhecer a possibilidade de remune-rar iniciativas locais que muitas vezes têm se mostrado exitosas na qualificação e ampliação do acesso. Parece-me necessário que se comece a pensar em incentivar políticas e propostas de organização de sistemas de saúde e não progra-mas verticais que, na maioria das vezes, desco-nhecem as características locais. AMAS Hou ve na realidade dois passos impor-tantes na redução das desigualdades entre esta-dos e municípios: o PAB, sobretudo o fixo, e uma emenda ao orçamento da União, salvo en-gano em 2000, puxada pela bancada da Bahia, que alocou recursos adicionais nos tetos esta-duais inversamente ao per capita exis ten te. O PAB ampliado, e sobretudo o per capita para o M1 (primeiro nível da média complexidade) te-ria esse papel, mas o nível irrisório do PAB am-pliado desestimulou os municípios a assumi rem a condição de gestão. Por outro lado, o FAEC reforçou as desigualdades, e o que é pior, além de reforçar, ocultou as desigualdades, pois ao contrário dos tetos, só o MS sabe quanto vai pa-ra cada Estado ou município. Já os incentivos, estes viraram uma colcha de retalhos tão com-plexa que mesmo o MS tem dificuldade de sa-ber quanto vai para cada local. Acho que há uma grande diferença entre o incentivo a uma estratégia estruturante como o PSF , que somen te por marketing mantém a "grife" com o nome programa, e os incentivos outros para cada

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Martins Júnior, F., Silva, A. M., Solla, J., & Santos, N. R. dos. (2003). O impacto potencial da atual estrutura de financiamento da gestão descentralizada do SUS na redução de desigualdades regionais. Ciência & Saúde Coletiva, 8(2), 645–648. https://doi.org/10.1590/s1413-81232003000200024

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