Abstract
Com a evolução da Bioética e sua consolidação após 4 décadas de desenvolvimento e expansão pelo mundo inteiro, concomitante ao desenvolvimento biotecnológico e à complexização das relações humanas, passou-se a questionar os limites do início e fim da vida humana diante dos avanços possibilitados pela tecnologia e até mesmo os limites do conceito de humanidade. Consolida-se, assim, em uma nova ciência, que passa a ser replicada e ensinada. Todavia, qual a efetividade do ensino da Bioética? Em seu atual estágio de desenvolvimento epistemológico, o ensino da Bioética tem contribuído na formação dos profissionais que conviverão diariamente com os dilemas bioéticos? Neste contexto, o presente artigo procura compreender os impactos do ensino da Bioética em estudantes de Medicina, analisados no 1.º, 6.º e 9.º semestres do curso de graduação, para avaliar o impacto que a matéria de Bioética causa em suas opiniões diante de diversos casos concretos apresentados que envolvam conflitos de distintos princípios. Os resultados estatísticos coletados e apresentados nesta pesquisa demonstram que, a despeito do grande desenvolvimento e divulgação da Bioética, o seu impacto na formação da nova geração de médicos ainda é baixo, de modo que, na relação de formação interdisciplinar desta ciência, a influência epistemológica ainda é um caminho de mão única, ou seja, ainda que a Medicina contribua com a formulação da Bioética, a Bioética pouco está contribuindo com a formulação da Medicina contemporânea, como se pode observar pelos dados que demonstram forte corporativismo entre os alunos. Ressaltam-se, todavia, resultados que comprovam instabilidade nos posicionamentos e que permitem a conclusão de que a Bioética possibilita a manutenção da dúvida, evitando a formação de dogmas e decisões pré-formuladas em situação de dilema ético.The evolution and consolidation of the Bioethics discipline after four decades of development and expansion throughout the world along with the Biotechnology development and the increasingly complex human relationships that started to question about the limits of the beginning and the end of life in relation to the technology advancements, and even to the limits of the Humankind concept. In that way a new Science is consolidated, being able to be replicated and taught. However, how effective the teaching of Bioethics is? In its current epistemological state of development, has the teaching of Bioethics been contributing to the training of professional staff that will be dealing with bioethics dilemmas in a daily basis? Within this context, this paper seeks to understand the impacts that the teaching of bioethics has over Medicine students, considering analysis in the 1st, 6th an 9th semesters of the undergraduate course. The statistical results obtained and presented in this paper show that, despite the great development and dissemination of Bioethics, its impact over the training of the new generation of doctors seems to be low, so that the interdisciplinary relationship particular of the discipline, the epistomological influence is still a one-way route, meaning that even if Medicine contributes to the formulation of Bioethics, Bioethics seems to be of little relevance when contributing to the formation of modern medicine, as observed in data that show strong corporatism among students. It should be noted, however, that there are results showing instability in the opinions that permit to affirm that Bioethics make chance to the doubt, avoiding dogmas and pre-conceived decisions to be formulated in an ethic dilemma situation.
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Felix Fernandes, E., & Rose Priel, M. (2013). O ensino da Bioética e a tomada de decisões: impacto em estudantes de medicina. O Mundo Da Saúde, 37(1), 9–15. https://doi.org/10.15343/0104-7809.2013371915
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