Abstract
No contexto pós-colonial que Moçambique conhece (o país tornou-se independente em 1975), o projeto universitário – um projeto importado – tem conhecido vários desafios. Desde logo, o facto de as universidades existentes serem um modelo moderno, inspirado no saber iluminista, que procura mesclar-se com os saberes e as experiências fruto da diversidade cultural presente no país. Várias experiências atravessam o contexto contemporâneo do Ensino Superior moçambicano, desde as iniciativas que buscam desenvolver um paradigma de saber que reflita uma combinação de conhecimentos, a iniciativas que afirmam a centralidade do saber moderno de matriz eurocêntrica, e que almejam (re)produzir os projetos universitários de países considerados mais avançados (por exemplo, o processo de Bolonha). Este texto, assente na análise de documentação oficial sobre as políticas públicas no campo da educação superior (incluindo planos estratégicos, relatórios e planos de ação), em entrevistas com vários decisores públicos, e outros materiais publicados sobre o assunto, procura analisar, a partir de experiências africanas, vários aspectos das políticas de conhecimento em Moçambique, refletindo sobre possibilidades de “descolonizar” as ciências sociais.
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Meneses, M. P. (2016). As ciências sociais no contexto do ensino superior em Moçambique: dilemas e possibilidades de descolonização. Perspectiva, 34(2), 338–364. https://doi.org/10.5007/2175-795x.2016v34n2p338
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