Abstract
O artigo propõe uma leitura do conto “A Desejada das Gentes”, de Machado de Assis, centrada na construção do desejo e na representação do feminino a partir da personagem Quintília. A análise parte da observação do modo como o narrador organiza o relato em torno de um eixo de negação, estruturando a figura feminina como objeto inatingível e, simultaneamente, como instância de poder e de recusa. Em seguida, relaciona-se essa dinâmica às convenções sociais e de gênero da sociedade oitocentista, conforme discutidas por Michelle Perrot e Eric Hobsbawm, evidenciando como a personagem se contrapõe ao ideal de mulher burguesa ao rejeitar o casamento e os papéis de domesticidade que lhe eram culturalmente impostos. A partir da teoria psicanalítica, o conceito de objeto a é mobilizado para compreender a recusa de Quintília como manifestação do desejo e da falta, elementos estruturantes do sujeito. Por fim, a leitura do conto “O Espelho” é incorporada como suporte teórico, permitindo pensar a constituição do sujeito dividido entre a “alma exterior” e a “alma interior”, o que se reflete na representação de Quintília enquanto mulher atravessada por olhares e discursos masculinos. Assim, o estudo propõe uma articulação entre literatura, psicanálise e história social, iluminando o modo como Machado de Assis problematiza o feminino em sua complexidade simbólica e discursiva.
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Calqui, M. de A. (2026). “A DESEJADA DAS GENTES.” Revista de Letras Norte@mentos, 19(56), 54–68. https://doi.org/10.30681/rln.v19i56.14332
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