Abstract
Introdução Por muitos anos, as espécies de micoplasma reconheci-das como patógenos humanos do trato geniturinário (TGU) estavam restritas a Mycoplasma hominis e Ureaplasma urealyticum (41), e, no trato respiratório, a M. pneumoniae (4). Os micoplasmas pertencem à classe Mollicutes, que tem como principais características a ausência de parede celular e o genoma reduzido, e são responsáveis por uma série de doenças no homem, em plantas e em animais (33). Nas duas últimas décadas, esta situação começou a mudar, com o isolamento de uma nova espécie, M. genitalium, do trato urogenital de homens com uretrite não-gonocócica (44). M. genitalium foi detectado pela re-ação em cadeia da polimerase (PCR), mais freqüentemente de amostras uretrais de homens com uretrite não-gonocócica, em comparação com homens sem estes sin-tomas, sendo os anticorpos anti-M. genitalium mais freqüentemente detectados nos soros de homens com PCR positiva para este micoplasma do que nos soros de ho-mens com PCR negativa (42). O DNA de M. genitalium foi também detectado por PCR em amostras uretrais de ho-mens com doença persistente ou recorrente seguida por um ataque agudo da doença (42, 43). Estes dados subsi-diam o papel de M. genitalium como um dos agentes etiológicos da uretrite não-gonocócica. No final da década de 80, M. fermentans, uma espécie isolada do trato urogenital no início dos anos 50 (34), mas considerada infreqüente neste sítio, foi isolado de lesões de sarcoma de Kaposi de um paciente com síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids) (23, 26), e finalmente clas-sificado como a cepa incognitus de M. fermentans (25, 36). Outros isolados de pacientes infectados pelo HIV se sucede-ram a partir de células mononucleares do sangue periférico (PBMC) (22) e de amostras de urina (12), o que demonstrou M. fermentans como o primeiro micoplasma invasivo no ho-mem. Estes dados, junto com as observações in vitro de que M. fermentans e outros micoplasmas podem induzir a replicação do HIV (7), levaram pela primeira vez à hipótese de que estes microrganismos podem ter um papel no de-senvolvimento da Aids (30). M. fermentans foi detectado tam-bém em pacientes com doenças respiratórias severas, algu-mas vezes fatais, especialmente em indivíduos imunodepri-midos, nos quais pode ainda ser responsável por doenças mais invasivas, como nefropatias (2, 27). M. penetrans é a espécie de micoplasma mais recente-mente identificada infectando o homem, tendo sido tam-bém isolado da urina de pacientes com Aids (24, 25). Seu
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Cordova, C. M. M. de, & Cunha, R. A. F. da. (2002). Detecção de Mycoplasma genitalium, M. fermentans e M. penetrans em pacientes com sintomas de uretrite e em indivíduos infectados pelo HIV-1 no Brasil. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, 38(2), 111–118. https://doi.org/10.1590/s1676-24442002000200007
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