Abstract
O presente trabalho tem por objetivo traçar uma possível articulação entre o pensamento latouriano e a prática e pesquisa no campo da educação química a fim de oferecer um subsídio a-epistemológico e heterogêneo para multiplicar e matizar a gama de olhares e abordagens investigativas nesta área. Como este pensamento não é de uso habitual, ao menos entre educadores químicos, inicialmente foram expostos alguns conceitos-chave do trabalho latouriano para habilitar o seu diálogo com a educação química. Posteriormente, com base nos conceitos apresentados, a seguinte possibilidade de contribuição do pensamento do filósofo às investigações na área da educação química foi delineada: a recuperação do papel dos actantes não humanos no processo educacional ao lhes devolver o reconhecimento de sua agência e mediação. Pensar a educação química a partir desta articulação permite passar ao largo da visão epistemológica de que qualquer atividade seja defendida com base em sua produção conceitual e teórica, em suas verdades encaradas como prontas e acabadas. Ao invés disso, pretende-se considerá-la como uma prática de mediação que ocorre nas micropolíticas que estão em jogo e requerem um gasto energético de uma série de coisas conectadas e agenciadas por entidades que mobilizam recursos a fim de instaurá-la e de mantê-la dentro da rede a que pertence. Esse olhar abre um leque de possibilidades de investigação em direção à heterogênese das práticas educacionais.
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Dal Bosco Rezzadori, C. B., & Alves de Oliveira, M. (2018). Educação química e pensamento latouriano: uma possível articulação. ACTIO: Docência Em Ciências, 3(1), 224. https://doi.org/10.3895/actio.v3n1.6860
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