A trajetória do aprendizado tecnológico nos censos demográficos no Brasil

  • Vilarinho P
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Abstract

O estudo analisa o desenvolvimento tecnológico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, focalizando os projetos censitários, desde sua origem até o advento do Censo Demográfico 2000, tendo por principais fundamentos teóricos os conceitos da acumulação tecnológica (BELL; PAVITT, 1993), associados às competências dinâmicas (TEECE; PISANO; SCHUEN, 1990) e à visão de inovação e aprendizado (DOSI, 1988). A análise dos dados aplica a estrutura analítica de aprendizado e acumulação de competências tecnológicas (FIGUEIREDO, 2001) em níveis gradativos de dificuldade e complexidade, classificando os recursos geradores de inovação e socialização de conhecimentos e seus efeitos nos processos organizacionais. Os dados da pesquisa foram coletados no ano de 2002, por meio de pesquisa documental e entrevistas com funcionários das diretorias técnicas do IBGE. O estudo demonstra que o órgão demorou 50 anos para evoluir de um nível básico de experimentação tecnológica, assimilada de países desenvolvidos, até renovar sua tecnologia nos anos 1990, iniciando um processo contínuo e autóctone de geração de conhecimento. Em 2000, logrou alcançar um nível internacionalmente avançado de competência tecnológica passível de exportação. Ao final, o estudo avalia que a visão compartimentada dos órgãos públicos tende a criar "ilhas de especialização" e a não otimizar o uso de tecnologias recém-defasadas.The study analyses the technological development performed by the Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. It focuses on the demographic census from its origins until the year 2000 census. Its main theoretical basis is the technological accumulation (BELL, PAVITT, 1993) associated with dynamic competencies (TEECE; PISANO; SCHUEN, 1990) and innovation and learning theories (G.DOSI, 1988). The empirical basis uses the analytical structure of learning and technological-capability paths (FIGUEIREDO, 2001) to classify the innovation and knowledge socialization resources and its effects on the organizations processes. The data were collected through examining documents and making interviews in the boards of technical directors of IBGE in 2002. The study demonstrates that IBGE has evolved over 50 years from a basic degree of technological experimentation - assimi-lated from the developed countries - into an international advanced level of technological competence which was exported in 2000. Finally, this study considers that government institutions' non-integrated understanding tends to establish restricted circles of specialists and not optimizing the use of low depreciated technologies.

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Vilarinho, P. F. (2006). A trajetória do aprendizado tecnológico nos censos demográficos no Brasil. Cadernos EBAPE.BR, 4(2), 01–17. https://doi.org/10.1590/s1679-39512006000200010

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