Abstract
Resumo Objetivo Descrever a prevalência de estressores do trabalho doméstico não remunerado (TDNR) e da sobrecarga doméstica, com ênfase nas diferenças de gênero. Métodos Estudo transversal de base domiciliar, com moradores ≥ 15 anos de idade, de Feira de Santana, Bahia. Os estressores do TDNR, avaliados pelo modelo desequilíbrio esforço-recompensa no trabalho doméstico e familiar (DER-doméstico), e a sobrecarga doméstica foram estratificados por gênero. Resultados Participaram 3.622 indivíduos, sendo 70,2% mulheres. A prevalência de alta sobrecarga doméstica foi 34,4% e de alto DER-doméstico, 34,0%, ambas maiores entre mulheres. A alta sobrecarga doméstica, em ambos os gêneros, associou-se a: baixa renda, cuidar de crianças, fazer pequenos consertos, compras, planejar a organização da casa, comprometimento excessivo com o TDNR e não ser chefe de família. Apenas entre as mulheres, foram associados à alta sobrecarga doméstica: menor idade, ter parceiro, ter filhos, tempo dedicado às atividades domésticas e não compartilhar tarefas. Em homens, ter parceira, ter filhos e baixa escolaridade reduziu o desequilíbrio. Em mulheres, o alto DER-doméstico associou-se à menor idade e renda, trabalho remunerado, maior carga horária semanal, fazer pequenos consertos, cuidar de crianças e idosos. Conclusões O TDNR incide desproporcionalmente sobre as mulheres jovens e de baixa renda.Abstract Objective To describe the prevalence of stressors from unpaid domestic work (UNDW) and domestic overload, with an emphasis on gender differences. Methods This was a cross-sectional, household-based study of residents aged ≥ 15 years in Feira de Santana, Bahia. UNDW stressors, assessed by the effort-reward imbalance model in domestic and family work (ERI-domestic), and domestic overload were stratified by gender. Results 3,622 individuals participated, of whom 70.2% were women. The prevalence of high domestic overload was 34.4% and of high ERI-domestic was 34.0%, higher among women. In both genders, high domestic owerload was significantly associated with: low income, caring for children, doing small repairs, shopping, planning the organization of the home, excessive commitment to UNDW, and not being head of the household. Among women only, the following factors were associated with high domestic overload: younger age, having a partner, having children, more time dedicated to domestic activities, and not sharing tasks. For men, having a partner, children, and low schooling reduced the imbalance. In women, high ERI-domestic was associated with lower age and income, paid work, weekly workload, doing small repairs, caring for children and the elderly. Conclusions UNDW disproportionately affects young and low-income women.
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Morais, A. C., Araújo, T. M. de, Pinho, P. de S., Teixeira, J. R. B., & Carneiro, C. M. M. (2026). Trabalho invisível, sobrecarga real: trabalho doméstico e as marcas da desigualdade de gênero. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 51. https://doi.org/10.1590/2317-6369/13925pt2026v51edgt2
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