Classificação de alimentos Nova: uma contribuição da epidemiologia brasileira

  • Louzada M
  • Gabe K
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RESUMO Este ensaio apresenta a classificação de alimentos Nova, uma inovação conceitual da epidemiologia brasileira, descrevendo sua gênese, as evidências científicas derivadas de sua aplicação e suas implicações para a saúde pública. Criada em 2010, a Nova classifica os alimentos em quatro grupos com base no grau de processamento: alimentos in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários processados, alimentos processados e alimentos ultraprocessados. Desde seu desenvolvimento, diversos estudos epidemiológicos têm demonstrado os impactos negativos do consumo elevado de alimentos ultraprocessados à saúde, como a associação com diversas doenças crônicas não transmissíveis, tais como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e desfechos de saúde mental. No Brasil, o consumo desses alimentos cresceu significativamente nas últimas décadas, com a participação calórica dos ultraprocessados aumentando de 12,6 para 18,4% entre 2002–2003 e 2017–2018, sendo esse aumento mais intenso entre grupos socioeconômicos mais vulneráveis. A Nova fundamenta as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e tem desempenhado papel crucial no embasamento de políticas públicas, como a atualização da cesta básica nacional e as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar, que visam restringir o acesso a alimentos ultraprocessados. Por fim, o ensaio aborda os desafios políticos e científicos, incluindo a necessidade de mais estudos experimentais que fortaleçam as evidências e o potencial de estratégias fiscais e de regulação da publicidade que considerem o impacto do processamento de alimentos na saúde.ABSTRACT This essay presents the Nova food classification, a conceptual innovation of Brazilian epidemiology, describing its genesis, the scientific evidence derived from its application, and its implications for public health. Created in 2010, Nova classifies foods into four groups based on the degree of processing: unprocessed or minimally processed foods, processed culinary ingredients, processed foods, and ultra-processed foods. Since its development, several epidemiological studies have demonstrated the negative impacts of high consumption of ultra-processed foods on health, such as associations with various non-communicable diseases, including obesity, diabetes, cardiovascular diseases and mental health outcomes. In Brazil, the consumption of these foods has increased significantly in recent decades, with the caloric share of ultra-processed foods rising from 12.6 to 18.4% between 2002–2003 and 2017–2018, with this increase being more pronounced among more vulnerable socioeconomic groups. Nova underpins the recommendations of the Brazilian Dietary Guidelines and has played a crucial role in informing public policies, such as the update of the National basic food basket and the guidelines of the National School Feeding Program, which aim to limit the access to ultra-processed foods. Finally, the essay addresses the political and scientific challenges, including the need for more experimental studies to strengthen the evidence and the potential of fiscal and marketing regulation strategies that take into account the impact of food processing on health.

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Louzada, M. L. da C., & Gabe, K. T. (2025). Classificação de alimentos Nova: uma contribuição da epidemiologia brasileira. Revista Brasileira de Epidemiologia, 28. https://doi.org/10.1590/1980-549720250027.2

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