Abstract
A secularização e a laicidade estão na pauta dos debates sociais. Por vezes as abordagens sobre o tema demonstram a fragilidade dos fundamentos teóricos no uso comum da noção de secularização, tendo como consequência o interdito a certos estudos sobre a dimensão religiosa da vida. Este artigo resulta de um estágio de pesquisa em centro de estudos francês, apoiando-se na bibliografia em língua francesa do último período. A hipótese geral é que a abrangência e a polissemia do conceito de secularização propiciam o seu uso contraditório. O conceito origina-se no confronto social entre as instituições religiosas e o projeto unificador pela razão desenvolvido pelas ciências modernas, tendo como resultado a negação do diálogo entre a teologia e as ciências sociais. Propomos entender a complexidade do conceito e os deslocamentos em diferentes usos, como um instrumento importante para analisar a Modernidade e, ao mesmo tempo, evidenciar que o uso simplista como interdição a debates revela-se um certo “senso comum” do fazer ciência. Da compreensão da secularização como saída do religioso da sociedade, passamos pela tese do “retorno do sagrado” e pela abordagem instigante do processo de exculturação religiosa das estruturas do pensar e do agir.
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Coelho, A. D. S. (2017). Secularização e laicidade: abordagens destoantes para pensar a modernidade. Impulso, 26(67), 85. https://doi.org/10.15600/2236-9767/impulso.v26n67p85-98
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