Abstract
CDFB Rio de Janeiro. 1965. APRESENTAÇÃO Encarregou-me a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro de elaborar um Manual do Coletador de Folclore, cumprindo assim deliberação do seu antigo Conselho Técnico. Justifica a incumbência a dificuldade de recrutamento de pessoal técnico, inclusive pela sua exiguidade, para os levantamentos e pesquisas que a Campanha se propõe realizar. Assim, terá de valer-se de pessoas de boa vontade, embora sem conhecimentos de folclore, para proceder a coletas, fazer a localização de fatos folclóricos e fornecer elementos para que os especialistas procedam a investigações em profundidade e possam elaborar mapa da nossa cultura popular. Não basta saber que em tais lugares se contam tais estórias, em outros existem determinadas danças e acolá se faz festa de São João. O necessário é uma coleta mais minuciosa, donde se partirá para aqueles objetivos. O inquérito não resolveria, não só porque o número deles teria de ser enorme, como ainda pelo fato das respostas serem muito poucas em geral e nem sempre satisfatórias. Julgou a Campanha, com acerto, que o melhor seria incumbir determinadas pessoas de fazer essas coletas, para preparar as pesquisas ou, em seu curso, esclarecer determinados fatos, ou ainda para informar. Podem ser escolhidos profissionais, professores, agentes de estatística, notários, estudantes, sacerdotes ou outras de idêntico nível intelectual, radicados nas localidades. Como orientação do trabalho, a que forem chamadas, a fim de poderem seguir o roteiro que se lhes der, foi que se decidiu confiar-me a elaboração deste Manual, no qual, sem qualquer teorização e numa palestra corrente, indicasse as normas e desse os conselhos pertinentes à tarefa a cumprir. Portanto, este livro não se destina a folcloristas. A Campanha pediu sugestões, que me foram altamente proveitosas e das quais me vali constantemente, aos meus ilustres colegas Guilherme dos Santos Neves, César Guerra Peixe, Oswald de Andrade Filho, Oswaldo Cabral e Rossini Tavares de Lima, em plano geral e no de suas especializações. Como não se trata de obra de doutrina, não apresento bibliografia, mas utilizei exemplos e indicações de quantos livros, artigos, monografias foram do meu conhecimento, além do que aprendi nas minhas andanças folclóricas. No que tange à demarcação do campo do Folclore, segui o critério da Carta do Folclore Brasileiro, sem levar em conta minhas reservas pessoais.
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Schaden, E. (1966). Manual de Coleta Folclórica. Revista de Antropologia, 14, 153–155. https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.1966.110781
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