Abstract
A CAPACIDADE DE ARMAZENAR ENERGIA sob a forma de gordura é fundamental para suprir nossos requerimentos vitais. Embora o tecido adiposo seja considerado hoje também uma estrutura endócrina-produz entre outros a leptina, a adipsina, o fator de necrose tumoral (TNFa), o inibidor do ativador do plasminogênio (PAI 1), o angiotensinogênio-, é o seu papel de reserva energética e proteção térmica que sobressai no senti-do de nos garantir a sobrevivência. Na pré-história a luta árdua para conseguir alimentos, a maior exposição ao frio e a necessidade de movimentação constante para encon-trar condições ambientais que permitissem a sobrevivência em situações infinitamente menos confortáveis que as atuais exigiam de nossos antepas-sados grande capacidade de estocar energia e de obter proteção térmica. E natural que houvesse em seu organismo mecanismos (genes para promover adipogênese, processos enzimáticos, etc.) que facilitassem a obtenção desta reserva e desta proteção térmica-e o resultado final era a produção constante de gordura, que também era rapidamente metaboliza-da para prover as grandes queimas calóricas diárias. Esta capacidade de armazenar gordura-essencial para nossos antepassados-, tornou-se prejudicial com os padrões de vida atuais, nos quais a excessiva oferta de alimentos-e particularmente de alimentos ricos em gorduras-acoplada aos crescentes confortos da vida moderna-ten-dentes a nos tornar cada vez mais inativos-nos conduz à obesidade. Podemos afirmar que obesidade é uma doença resultante do conflito entre genes antigos e vida moderna. A obesidade não é um fenômeno recente. Sabe-se da existência de indivíduos obesos já na época paleolítica, há mais de 25.000 anos atrás. A sua prevalência, no entanto, nunca atingiu proporções tão epidêmicas como as atuais. A obesidade vem aumentando em praticamente todos os países em que há acesso a alimentos. Na Europa, os dados mais recentes (de 1988 a 1995) evidenciam que 10 a 20% dos homens e 10 a 25% das mulheres apresentam índice de massa corpórea igual ou maior que 30 kg/m 2 (1). Nos Estados Unidos, censo recente mostrou que 55% da população adulta tem sobrepeso (IMC ³ 25 kg/m 2) ou obesidade (IMC³ 30 kg/m 2)(2). Mas não é só nos países desenvolvidos que a prevalência de obesidade vem aumentando. Nos chamados países emergentes (como o Brasil) o fenô-meno do aumento do número de indivíduos obesos é alarmante. A expressão epidemia de obesidade vem sendo usada freqüentemente na literatura médica. Os dados do IBGE obtidos em dois períodos (1974-5 e 1989) mostram que a proporção de indivíduos com sobrepeso se elevou de 16,7%
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Halpern, A. (1999). A epidemia de obesidade. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 43(3), 175–176. https://doi.org/10.1590/s0004-27301999000300002
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