Abstract
O objectivo deste artigo é analisar as raízes profundas e razões válidas para a reconfiguração dos métodos "tradicionais" de resolução de conflitos em Moçambique, através de uma perspectiva de desenvolvimento do Estado, tanto em contextos coloniais como pós-coloniais. Tomando como ponto de partida a constante referência a práticas de feitiçaria, procura-se analisar estas acusações como parte de um contexto cultural mais amplo onde se entrecruzam múltiplas realidades culturais, numa rede complexa de competição pelo poder. Neste contexto, o privilégio epistemológico concedido ao direito moderno continua a funcionar como um instrumento de supressão de outras formas de legalidade e, simultaneamente, dos grupos sociais subalternos cujas práticas sociais se baseavam nessas formas. Deste modo, a análise das acusações de feitiçaria abre campo para uma discussão mais ampla e situada sobre a diversidade das "epistemologias do Sul".
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Meneses, M. P. (2008). Corpos de violência, linguagens de resistência: As complexas teias de conhecimentos no Moçambique contemporâneo1. Revista Crítica de Ciências Sociais, (80), 161–194. https://doi.org/10.4000/rccs.701
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