Abstract
OBJETIVOS. Avaliar a prevalência e determinar os fatores associados a reumatismo/sintomas articulares crônicos na população de idosos de Bambuí, Minas Gerais, Brasil. MÉTODOS. Foi conduzido um estudo transversal de base populacional entre 1606 idosos (>=60 anos ). Reumatismo foi assim definido: a) relato de diagnóstico médico de reumatismo e b) relato de sintomas crônicos nas mãos e joelhos (SCMJ). Utilizou-se a regressão logística múltipla para investigar associação independente entre reumatismo/sintomas crônicos e fatores selecionados. RESULTADOS. A prevalência de SCMJ foi de 44,2% e de reumatismo diagnosticado por médico foi de 25,3% (15,3% nos homens e 31,9% nas mulheres). SCMJ esteve negativamente associado ao sexo (masculino) e à escolaridade (>= 8 anos) e positivamente associado a índice de massa corporal (25-29, 30-34, >=35 kg/m2), INTRODUÇÃO Reumatismo é uma denominação utilizada para designar problemas de saúde que acometem as articulações e estruturas ósteo-musculares adjacentes, associados à dor e rigidez articular. Em estudo prospectivo, o reumatismo representou a condição crônica mais indicativa de limitações de atividades físicas, principalmente mobilidade e auto-cuidado1. Mais de 100 doenças classificadas internacionalmente podem ser relatadas como reumatismo, entretanto a osteoartrose representa a afecção mais freqüente, correspondendo a cerca de 70% dos casos de artrite2. A osteoartrose acarreta importante impacto econômico, em termos de incapacidade e custo da assistência aos indivíduos acometidos pela doença3. A osteoartrose pode ser definida através de sintomas ou alterações radiológicas, entretanto muitos indivíduos com evidência radiográfica de osteoartrose não apresentam sintomas4. A osteoartrose acomete principalmente joelhos, mãos e quadris, e este padrão de envolvimento articular varia com a idade e sexo. Em inquérito realizado na comunidade, a prevalência de osteoartrose nas mãos, joelhos e quadris após os 30 anos aumentou progressivamente e se estabilizou após os 65 anos5. Antes dos 50 anos, a prevalência de osteoartrose na maioria das articulações é um pouco maior nos homens do que nas mulheres. Após os 50 anos, a prevalência de osteoartrose dos joelhos e mãos torna-se maior nas mulheres6. Diversos fatores (sociodemográficos, hereditários, clínicos, metabólicos e de estilo de vida) estão associados à osteoartrose em articulações específicas. A prevalência de osteoartrose generalizada das mãos, que acomete as articulações interfalangenas distais e da base do polegar, é cerca de dez vezes maior em mulheres do que em homens e é também maior em gêmeos homozigóticos do que em dizigóticos, sugerindo-se que o fator hereditário seja o mais importante7. O sobrepeso e a obesidade, através de mecanismo de sobrecarga mecânica, estão associados principalmente à osteoartrose de joelho8,9 e a redução do peso está associada à diminuição do risco de progressão da doença10. Alguns estudos evidenciaram associação entre obesidade e relato de infarto do miocárdio, sintomas de acidente vascular cerebral e relato de doença de Chagas. CONCLUSÕES. Os resultados são coerentes com a literatura internacional no que se refere à maior prevalência de reumatismo em mulheres obesas e de escolaridade mais baixa. A associação de SCMJ com algumas condições clínicas pode estar relacionada ao maior uso de serviços de saúde motivado pelas mesmas e necessita maiores investigações em estudos futuros. A identificação destas características dos idosos residentes na comunidade com maior prevalência de reumatismo pode fornecer subsídios para organização de programas de assistência à saúde para esta faixa etária da população.
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Machado, G. P. da M., Barreto, S. M., Passos, V. M. de A., & Lima-Costa, M. F. F. de. (2004). Projeto Bambuí: prevalência de sintomas articulares crônicos em idosos. Revista Da Associação Médica Brasileira, 50(4), 367–372. https://doi.org/10.1590/s0104-42302004000400024
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