Abstract
Os dois maiores desastres em termos de volume de material liberado envolvendo barragens de rejeitos de mineração ocorreram na Colúmbia Britânica, Canadá, em agosto de 2014 e em Minas Gerais, Brasil, em novembro de 2015. Este estudo descreve e analisa as estratégias adotadas pelas duas empresas envolvidas nos desastres, tanto antes das tragédias, quanto para lidar com suas consequências ambientais e sociais. Ele é baseado em revisão bibliográfica, análise documental e, no caso de Minas Gerais, observações de campo após o desastre. Ao longo do texto, analisam-se diferentes dimensões do comportamento das mineradoras envolvidas: a prática de lobby e financiamento de campanha, o padrão de investimento e desinvestimento associado à volatilidade dos preços dos minérios, a desconsideração de alertas anteriores aos desastres, a falta de preparo para lidar com as emergências e as tentativas de minimizar a gravidade das tragédias. A partir das semelhanças identificadas, argumenta-se que esses desastres não devem ser compreendidos como acidentes ou casos excepcionais, mas sim como exemplos emblemáticos do padrão operativo de mineradoras ao redor do mundo.
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Marshall, J. (2017). Rompimentos de barragens de rejeitos no Brasil e no Canadá: uma análise do comportamento corporativo. Caderno Eletrônico de Ciências Sociais, 5(1), 27–46. https://doi.org/10.24305/cadecs.v5i1.2017.17793
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